Europeus estão próximos a proposta de consenso sobre Irã

As seis potências mundiais que negociam a reação internacional ao programa nuclear iraniano se reuniram nesta quarta-feira para discutir as recompensas - e as punições - que serão apresentadas ao Irã para que o país desista de seu programa de enriquecimento de urânio. Entre os temas presentes na pauta do encontro - que acontece em Londres e reúne representantes dos cinco países membros do Conselho de Segurança (CS) da ONU mais a Alemanha - está a discussão de um compromisso para a adoção de sanções contra o Irã caso o país se recuse a congelar seu programa de enriquecimento de urânio. Se processado a alto grau de purificação, o combustível pode ser utilizado na fabricação de armamentos nucleares.O compromisso é parte de um pacote de incentivos cujo objetivo é convencer a China e a Rússia a apoiarem os esforços internacionais para que o Irã desista do programa. Caso seja aceito pelas duas nações, que se opõe a qualquer medida de força contra Teerã, o pacote colocará fim a uma queda de braços que já dura três meses dentro do CS. O conselho está envolvido com a questão desde março. Caso o Irã mantenha-se desafiador, a proposta apontará para uma resolução do CS impondo sanções baseadas no Capítulo 7, artigo 41, da Carta das Nações Unidas. O texto abre o caminho para uma possível ação militar contra o Irã.Em uma outra medida adotada para garantir o apoio de Moscou e Pequim, o texto exige a realização de novas consultas entre os membros permanentes do Conselho de Segurança caso novos passos contra o Irã sejam necessários. Russos e chineses temem que o acirramento das posições contra o Irã possam levar um envolvimento militar automático contra o país.Estados UnidosTambém nesta quarta-feira, o porta-voz da presidência dos EUA, Tony Snow, voltou a reiterar que os EUA não negociarão diretamente com o Irã. Ainda assim, Snow deixou claro que os americanos abririam as portas para futuras conversas caso Teerã prove ter congelado todas as atividades relacionadas à produção de armamentos nucleares."Até que eles façam isso, não haverá mudanças na postura da administração", disse o secretário de imprensa da Casa Branca. "Continuaremos a usar os fóruns internacionais apropriados e a trabalhar com nossos aliados quando tivermos que lidar com o governo do Irã."O Irã e os EUA cortaram laços diplomáticos logo após a Revolução Iraniana, em 1979. A única discussão pública entre os dois países desde então aconteceu no começo de 2003, quando os EUA começaram a colocar forças militares no Golfo Pérsico com vistas à Guerra do Iraque.Nesta quarta-feira, o jornal americano Washington Post traz uma reportagem que afirma que o Irã teria feito um pedido para que os dois países negociassem bilateralmente. Perguntado sobre essa possibilidade, Snow afirmou que não sabia se a reportagem era verdadeira, mas disse que está claro que os líderes iranianos estão tentando "negociar através da imprensa".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.