Europeus têm resolução que pede o envio da questão iraniana ao CS

As nações européias passaram a quarta-feira se preparando para a reunião que decidirá se o programa nuclear iraniano será levado ao Conselho de Segurança (CS) da ONU. O encontro acontecerá nesta quinta-feira na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, e contará com a presença de representantes de 35 países. Com a mudança de opinião de Rússia e China, que eram contrárias à indicação, acredita-se que a moção passará facilmente.O relatório sigiloso preparado por Alemanha, França e Reino Unido que será apresentado aos membros da AIEA foi obtido pela Associated Press. Segundo a agência de notícias, o documento possui menções de que o Irã busca a fabricação de armas nucleares com suas pesquisas de enriquecimento de urânio, e não fins energéticos como Teerã afirma. O rascunho do documento a ser encaminhado para o referendo contém as seguintes exigências:* Restabelecer a moratória de enriquecimento de urânio e atividades relativas.* Parar com a construção de um reator de água que pode ser a fonte de plutônio para armas.* Validar formalmente a presença de uma alta autoridade de inspeção da AIEA.* Dar maior poder investigativo à AIEA, incluindo "acesso individual" para entrevistas, assim como acesso à documentação das compras iranianas no mercado negro nuclear. Será mencionado ainda um documento adquirido pelo Irã no mercado negro cujo principal objetivo é a construção de bombas atômicas. Teerã defendeu-se dizendo que não pediu pelo documento, mas que o teria recebido como parte de uma outra compra no mercado negro.O principal negociador nuclear do Irã, Ali Larijani, disse que o país irá retaliar caso a moção passe, dando continuidade com o enriquecimento de urânio em alta escala e não permitindo mais as inspeções intrusivas da ONU em suas fábricas. Rússia pede cooperaçãoEm visita a Teerã, um funcionário do ministério do Exterior russo disse que o Kremlin "aconselha amigavelmente que seus colegas iranianos cooperarem com a AIEA".Mais cedo, o funcionário informou que a viagem dos diplomatas russos e chineses a Teerã, da qual ele participava, não deveria ser vista como uma tentativa de pressionar o Irã à respeito de seu programa nuclear. O porta-voz do ministério, Mikhail Kamynin, afirmou que a junta diplomática Russa-Chinesa tentará "explicar a situação e persuadir os colegas iranianos". Também nesta quarta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, conversou com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, à respeito da questão nuclear iraniana. O Kremlin disse em um comunicado que os dois discutiram questões de não proliferação nuclear e a cooperação entre a Rússia e os EUA.

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