Europeus tentam frear entrada de imigrantes da Síria

França impõe visto especial de trânsito para refugiados do país, que foi devastado por mais de 2 anos de guerra civil

PARIS, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2013 | 02h01

Desde 15 de janeiro, a França reintroduziu a exigência de um Visto de Trânsito Aeroportuário (VTA) para imigrantes vindos da Síria. Ainda que o país esteja em guerra civil, o objetivo da medida é frear o fluxo de refugiados que chegam à Europa. De acordo com líderes de organizações não governamentais de apoio aos refugiados sírios ouvidos pelo Estado em Paris, a medida já surte um efeito colateral: o aumento da imigração clandestina, que aumenta o risco e a precariedade de vida de quem busca asilo.

A exigência de um visto de trânsito temporário foi estabelecida pela chancelaria da França com o objetivo oficial de "reduzir o desvio de procedimentos" de pedidos de asilo. Na prática, o VTA impede que passageiros que cheguem aos aeroportos europeus deixem a zona de trânsito internacional. A exigência havia sido suspensa no caso dos imigrantes sírios em abril de 2010, 11 meses antes do início da revolução, mas foi reestabelecida.

"O visto visa a evitar os desvios de procedimento constatados, que colocam pessoas em situação irregular, mas também em situação de grande precariedade", alegou à época o porta-voz adjunto da chancelaria, Vincent Floreani, garantindo: "Nós nos esforçamos a facilitar os pedidos de asilo, com a ajuda de nossas embaixadas no Líbano, Jordânia e Turquia".

A prática, porém, vem sendo denunciada por ONGs que se dedicam a auxiliar os sírios que chegam em dificuldades na Europa. "Ainda há os que chegam apoiados pela chancelaria, como asilados. Mas a maioria está chegando sem informação e sem alojamento depois de semanas de errância pela Turquia, pelo Líbano, pela Jordânia ou pelo Egito", conta Nizar Touleimat, sírio radicado há 10 anos em Paris e fundador da ONG Democracia e Ajuda Mútua pela Síria.

De acordo com Ali al-Olaiwi, sírio que vive na França há 30 anos e hoje coordena a ONG Por uma Síria Livre, a situação se torna pior para os exilados a cada dia que passa.

"Para um sírio, vir para a Europa é muito complicado. O Estado francês facilita a vinda dos que têm vínculos familiares, mas há cada vez mais clandestinos", afirma al-Olaiwi. "Nós fazemos o que está ao nosso alcance, mas nossos meios são limitados. O que está acontecendo é uma vergonha para toda a humanidade." / A.N.

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