REUTERS/Michael Dalder
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Europol prevê novos atentados terroristas

Terrorismo atinge marcos da sociedade europeia: cafés, estádios de futebol, casas de show, balneários e shoppings

Jamil Chade, Correspondente / Genebra, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2016 | 20h14

Copenhague, Paris, Bruxelas, Nice, Munique. A Europa passa a conviver com uma nova realidade, enquanto os atentados se proliferam pelo continente e colocam em xeque as políticas de combate ao terrorismo. Um levantamento da Europol obtido pelo Estado revela que os serviços de inteligência da UE admitem que a ameaça continuará e novos atentados ocorrerão.

No momento do ataque de Munique, a reportagem do Estado viajava entre Paris e Genebra. Mesmo sem saber se as mortes tinham qualquer relação com o terrorismo islâmico, o vagão lotado de passageiros passou imediatamente a comentar o ato e a tensão aumentou. Os trens europeus têm sido potenciais alvos de ataques. 

Numa sociedade que se desacostumou com guerras e violência urbana, a rotina do terror tem chocado e exigido mudanças. Nos últimos meses, os atentados afetaram alguns dos marcos da sociedade europeia: cafés, locais de festa, futebol, entretenimento, viagens, as férias de verão, uma comemoração nacional e um shopping. 

Apenas em 2015, segundo a Europol, 211 ataques foram realizados ou planejados na Europa. A taxa é a mais alta desde que o monitoramento começou, em 2006. Em 2013, por exemplo, o número de atentados foi de 153. 

Com um vasto arsenal militar, policial e de inteligência, os europeus fizeram 1.054 detenções – 687 delas ligadas ao “terrorismo jihadista”. Outras 168 ações foram ligadas a questões separatistas, além do extremismo de partidos de direita, grupos xenófobos e da esquerda radical. 

A França continua sendo o centro das ações, com 72 ataques planejados ou realizados em 2015. Não por acaso, 425 prisões ocorreram no país. Só no ano passado, foram 151 mortes e 360 feridos. Para 2016, esse número será ainda maior. 

O que mais preocupa a Europol é a constatação de que tudo indica que Munique não foi a última, mesmo que não seja considerado como um ataque islâmico. “A ameaça geral é reforçada por um número substancial de terroristas estrangeiros que agora cada país da UE tem em seu território, além do aumento significativo de sentimentos nacionalistas, xenofóbicos, racistas e antissemitas pela Europa, cada qual resultando em atos de extremismo”, alertou.

Outra constatação de Manuel Navarrete Paniagua, chefe de contraterrorismo da Europol, é a de que células terroristas estão estocando de forma clandestina explosivos dentro da Europa. “Isso seria usado em um ataque de grande escala”, disse Paniagua ao Parlamento Europeu, em maio.

Ainda que as motivações em Munique não estejam claras, a Europol reconhece que “mais ataques virão”. Segundo a análise da polícia continental, o objetivo dos grupos é o de “causar mortes em massa em populações urbanas, com o objetivo de provocar um alto estado de terror”. 

Para o chefe da Europol, Rob Wainwright, não há dúvidas de que novos ataques serão planejados ou realizados. Em sua avaliação, são as tendências jihadistas que mais preocupam. Segundo ele, “ várias centenas de combatentes europeus” podem estar planejando um novo atentando. “Sabemos que, no ano passado, o Estado Islâmico tomou a decisão estratégica de estabelecer um comando de operações externas, uma divisão para planejar justamente os ataques que estamos vendo agora”, indicou. 

Apesar do aumento da ameaça, a Europol insiste que “não tem evidências concretas de que terroristas tenham viajado sistematicamente pela rota usada por refugiados para entrar na Europa”. 

Partidos de extrema direita e mesmo governos têm justificado o fechamento de fronteiras aos refugiados usando o pretexto de estar garantindo uma proteção contra a entrada de eventuais terroristas. 

 

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