Pascal Rossignol/Reuters
Pascal Rossignol/Reuters

Eurotúnel terá novo desafio após o Brexit

A rapidez no transporte e a livre circulação de mercadorias são chave para o intercâmbio comercial entre Reino Unido e União Europeia, cujo total chega a € 140 bilhões ao ano

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2020 | 05h00

FOLKESTONE, REINO UNIDO - John Keefe, diretor de comunicações do Eurotúnel, mostra um sinal luminoso informando que o tráfego entre Reino Unido e França é fluído e a frequência dos trens é de seis por hora. Estamos no terminal de Folkestone, no condado de Kent, no lado britânico da monumental obra que celebra 25 anos marcada pelos desafios do Brexit.

Os caminhões e os carros particulares passam pelos controles em um trâmite ágil e breve, antes de entrarem nos vagões que os levarão ao terminal de Coquelles, no distrito de francês de Calais. Cada trem de carga tem 800 metros e ocupa quase toda plataforma de um quilômetro.

“Há sempre muito trânsito. Este é o vagão que leva os motoristas dos caminhões para o outro lado. Se há alguma emergência ou problema com o trem, temos os motoristas e os caminhões na mesma composição. Leva 35 minutos para fazer o trajeto de 50 quilômetros, 39 deles sob o mar”, disse Keefe.

“Cruzar o Canal (da Mancha) nos trens é como levar um carro pela rodovia. Não há controles, nem alfândega”, afirmou Keefe.

Também não há filas nem atrasos, apesar de diariamente passarem pelo túnel em cada direção entre 3 mil e 3,5 mil caminhões e entre 12 mil e 14 mil veículos particulares. A rapidez no transporte e a livre circulação de mercadorias são chave para o intercâmbio comercial entre Reino Unido e União Europeia, cujo total chega a € 140 bilhões ao ano.

Quando o Brexit chegar, o objetivo é manter a fronteira “o mais aberta possível”, isto é, não deter o trânsito. Assim que os veículos chegam a Folkstone, começa o processo criado para manter essa fluidez. “Se registra a entrada e a saída dos documentos e o caminhão passa. O objetivo é que esse processo dure entre 20 ou 30 segundos por parada. A fase seguinte é de controle alfandegário”, explica o diretor de comunicações.

O mercado britânico, lembra Keefe, importa anualmente da Alemanha automóveis no valor de € 20 bilhões; produtos farmacêuticos e médicos da Holanda em um montante de € 5 bilhões; e bebidas francesas por mais de € 2 bilhões. O Brexit obrigará o bloco europeu a proteger a integridade do mercado único. O trânsito adquirirá uma nova dimensão. Tudo lembrará os tempos passados, mas com meios digitais. 

“Será necessário trocar as informações alfandegárias com as autoridades. Para isso, construímos novas instalações. Primeiro, faremos os controles de segurança prévios à entrada dos caminhões, que já fazemos atualmente, e pediremos ao motorista os papéis de aduana preenchidos e com os códigos de barras apropriados, que serão escaneados e enviados às autoridades alfandegárias da França”, explicou Keefe. “Hoje em dia, não sabemos o que há dentro dos caminhões, pois não faz parte de nosso trabalho.”

Mas, no futuro, as autoridades aduaneiras precisarão saber o que há dentro de cada caminhão e elas decidirão se será necessário examiná-lo ou se um acompanhamento online durante o trajeto pelo túnel será suficiente. 

“O uso de processos de captação de dados eletrônicos por antecipação significa que não teremos de parar os caminhões por um longo período. Depois, o controle dos conteúdos pode ser feito durante o trajeto, quando o caminhão está em movimento”, explicou Keefe. “Se ele tiver de ser interceptado, as autoridades aduaneiras na França poderão fazê-lo, pois têm um local para separá-lo. Luz verde, ele segue direto para a rodovia. Luz laranja, ele sai da fila e encosta para o controle.” / EFE

 

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