Eutanásia: promotoria acusa médico de matar deficiente

Um deficiente de 22 anos de idade cuja morte reacendeu o debate sobre a eutanásia na França foi morto por seu médico com duas injeções de toxinas, acusou um promotor público nesta quarta-feira (05). Frederic Chaussoy, médico de Vincent Humbert, está sendo investigado por "envenenamento premeditado", um crime que poderia resultar em pena de prisão perpétua no caso de condenação. Chaussoy declarou publicamente que desconectou os aparelhos por meio dos quais seu paciente respirava artificialmente. Mas o promotor Gerald Lesigne garantiu que exames médicos determinaram não ter sido esta a causa da morte de Humbert, em 26 de setembro. A morte de Humbert "não resultou diretamente da interrupção da respiração por aparelhos, mas da ministração de Nesdonal e cloreto de potássio pelos médicos em duas injeções sucessivas", diz um comunicado divulgado pela promotoria. O Nesdonal é um analgésico. O cloreto de potássio causa a paralisação dos batimentos cardíacos ao ser injetado na circulação sangüínea. Hugues Vigier, advogado da mãe de Humbert, defendeu a atitude do médico. "Desligar um aparelho de respiração artificial não causa sofrimento", disse o advogado em entrevista à Rádio France-Info. "Ministrar essas drogas evita todo o sofrimento. Portanto, o médico procurou a solução mais suave possível." Surdo, mudo e paraplégico, Humbert escreveu um livro no qual reivindicava o direito de morrer. Sua mãe, Marie, deixou claro com antecedência que os dois já possuíam um plano para providenciar a morte de Vincent. Ela teria dado a seu filho uma dose letal de sedativos que o induziram a um coma. Em seguida, seus médicos teriam desligado os aparelhos. Logo após a morte de Humbert, o governo francês iniciou uma sondagem entre o público para determinar a possibilidade de uma eventual reconsideração da atual proibição à eutanásia.

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