Evacuação da Cisjordânia fica mais próxima com vitória do Kadima

Segundo pesquisas de boca-de-urna de diferentes canais de televisão israelenses, o Kadima, com entre 29 e 32 cadeiras, venceu as eleições e os resultados de seus potenciais aliados são suficientes para que a coalizão possa aprovar no Parlamento o plano de evacuação unilateral de parte da Cisjordânia. As citadas sondagens dão aos potenciais aliados do Kadima, o Partido Trabalhista-Meimad e o Meretz (Vigor), cadeiras suficientes para que os três partidos tenham uma maioria confortável no Parlamento israelense (Knesset). O Partido Trabalhista conseguiu entre 20 e 22 cadeiras, e o Meretz, de plataforma pacifista e esquerdista, assegurou cinco assentos, conforme as sondagens. Outros partidos favoráveis ao plano de evacuação unilateral, como são as três formações árabes e o partido Gil (Idade), conseguiram entre duas e quatro cadeiras, caso de cada um dos três primeiros, e entre seis e oito, situação do bloco dos aposentados. Sendo assim, os partidos a favor do Plano de Desligamento da Cisjordânia somam mais de 60 deputados, a metade dos 120 que compõem o Parlamento unicameral israelense. "Isto é uma mudança espetacular na política israelense. É uma guinada no mapa político em direção ao centro", disse o líder do Kadima, Haim Ramon, um dos desertores do Partido Trabalhista. No campo da direita, contra qualquer concessão aos palestinos sem contrapartidas, ocorreu uma pequena revolução: o partido Yisrael Beiteinu (Israel é a Nossa Casa), liderado por Avigdor "Ivet" Liberman, superou o Likud, representante tradicional dos nacionalistas. Segundo as pesquisas, o Yisrael Beiteinu conseguiu entre 12 e 14 cadeiras, contra as 11 ou 12 do Likud, liderado pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que, com o resultado, sofre uma derrota pessoal e histórica sem precedentes no partido. Derrota do Likud Segundo as pesquisas, o Likud passou a ser a quarta ou quinta força política em Israel. Desde 1977, o partido é a força predominante da política israelense, mas a saída em novembro passado do primeiro-ministro Ariel Sharon, em estado de coma desde janeiro, desferiu um grande golpe na formação. Sharon decidiu deixar o Likud, partido que ele mesmo co-fundou em 1973, devido às divergências relativas à sua política de desligamento, aplicada já na Faixa de Gaza entre agosto e setembro passados. O primeiro-ministro decidiu então fundar o Kadima, e várias personalidades, tanto de seu partido como do Trabalhismo, se uniram à formação, entre eles o veterano líder trabalhista e "pai" dos acordos de Oslo, Shimon Peres. O Likud reconheceu que esta é uma "noite muito difícil". Além disso, destacou que na quarta-feira seus líderes farão um "exame de consciência" e voltarão a avaliar suas posturas e fracassos. A participação no pleito desta terça-feira foi particularmente baixa, o que foi atribuído à falta de uma figura carismática e à certa normalização da vida política israelense. Ao todo, mais de cinco milhões de eleitores estavam aptos a votar por um dos 31 partidos que competiam pelas 120 cadeiras da Knesset.

Agencia Estado,

28 Março 2006 | 19h13

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