Juan Carlos Ulate/Reuters
Juan Carlos Ulate/Reuters

Evangélico e governista disputarão 2º turno na Costa Rica

Com cerca de 80% das urnas apuradas, pastor Fabricio Alvarado contava com 24,8% dos votos, seguido por Carlos Alvarado, que tinha 21,6%

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 05h20
Atualizado 05 Fevereiro 2018 | 14h55

SAN JOSÉ - O deputado Fabricio Alvarado, pregador evangélico contrário ao casamento gay, foi o candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial da Costa Rica, realizado no domingo 4, mas terá de disputar o segundo turno em abril com o governista Carlos Alvarado.

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Com 80,6% das urnas apuradas, Fabricio Alvarado, do partido conservador Restauração Nacional, registrava 24,8% dos votos, seguido pelo ex-ministro Carlos Alvarado, do governista Partido Ação Cidadã (PAC), com 21,6%. Os dois devem disputar o segundo turno no dia 1.º de abril.

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A taxa de abstenção ficou em 33,88%, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Os dois candidatos celebraram a passagem para o segundo turno. "Hoje os costa-riquenhos saíram para votar e a mensagem é clara: a Costa Rica não quer mais do mesmo, não deseja mais as campanhas políticas de sempre. Por isso me uno ao movimento que foi criado de unidade, valores, inovação e verdadeiro progresso", disse Fabricio Alvarado. Ele repetiu sua mensagem focada em "família, princípios e valores".

Seu rival, Carlos Alvarado, de 38 anos, afirmou que a próxima administração deve ser um "governo de unidade nacional que abra o diálogo, respeite as diferenças e saiba transformar este país". Ele citou desafios nas áreas de economia, segurança e infraestrutura para o próximo governo, enquanto os simpatizantes gritavam "Carlos presidente".

Fabricio Alvarado, que em dezembro estava com 3% nas pesquisas de intenção de voto, disparou no fim da campanha por sua postura contrária ao casamento gay após uma declaração realizada no dia 9 de janeiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos a favor da união homossexual. 

"Sem dúvidas a religião impulsionou Fabricio Alvarado e isto se acentuou com veemência a partir da resolução da Corte (Interamericana)", disse o analista político independente Jorge Vega. Ele explicou que o deputado conseguiu capitalizar este voto porque "não é um conservador de pose, é um homem da igreja evangélica".

A insegurança também motivou a intenção de voto dos costa-riquenhos diante de um aumento no número de homicídios, que em 2017 alcançou 12,1 para cada 100 mil habitantes, o mais alto da história do país.

De acordo com a lei eleitoral da Costa Rica, caso nenhum candidato consiga pelo menos 40% dos votos, o segundo turno é disputado entre os dois mais votados no primeiro turno.

O TSE informou que a votação foi realizada sem incidentes e com uma grande participação. / AFP

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