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Evento de swingers em Nova Orleans torna-se 'superespalhador' de covid-19 após 41 testarem positivo

Organização do 'Naughty N'awlins' diz que estabeleceu 'diretrizes estritas' para a convenção e recomendou uso de máscara durante o evento, mas admitiu que protocolo foi falho

Katie Shepherd, The Washington Post

02 de dezembro de 2020 | 11h00

Sem pista de dança e com diretrizes estritas por causa do novo coronavírus, os participantes da convenção de swingers da Naughty N'awlins aproveitaram o evento de suas mesas e flertaram por trás de máscaras, a distância.

Depois de serem testados para coronavírus e concordarem em usar máscaras, cerca de 250 pessoas se registraram em um hotel em Nova Orleans para a convenção de swingers, realizada em 14 de novembro para reconectar uma comunidade separada pela pandemia.

Pouco mais de duas semanas depois do evento, porém, 41 participantes testaram positivo para a covid-19, de acordo com o organizador do evento, em um surto que levou as autoridades locais a chamarem a convenção de um "evento superespalhador".

Um porta-voz da prefeitura de Nova Orleans declarou que o evento foi "um exemplo muito claro do que pode acontecer quando você não obedece às regras de distanciamento social".

A imprensa local relatou o surto pela primeira vez na terça-feira, depois que o organizador do evento, Bob Hannaford, publicou recentemente um blog detalhando as falhas de segurança que levaram ao surto.

"Eu não faria isso de novo se soubesse o que sei agora", disse Hannaford no post. "Isso pesa sobre mim e continuará pesando sobre mim até que todos estejam 100% melhores."

A cidade não exigiu uma licença para a convenção anual de swingers, que teve um pouco mais de um décimo de seu tamanho normal neste ano por causa da pandemia. Os organizadores do evento disseram que se reuniram com autoridades municipais antes da convenção para discutir medidas de segurança para evitar a propagação do vírus entre os participantes.

Hannaford disse em sua postagem de sexta-feira que os participantes tinham que testar negativo para coronavírus ou provar que tinham anticorpos. Os organizadores do evento presumiram que as pessoas com anticorpos contra o coronavírus "não eram contagiosas", disse Hannaford. Todos os outros deveriam ter um teste de coronavírus negativo pouco antes do evento.

Os organizadores também pediram aos participantes que mantivessem diários detalhados de todas as pessoas com quem tiveram contato por mais de 10 minutos na convenção, independentemente de o contato envolver sexo, disse Hannaford. Os grupos de socialização no hotel eram limitados a nove ou menos indivíduos e as pessoas eram incentivadas a usar máscaras, a menos que estivessem comendo ou bebendo. 

Apesar das restrições, Hannaford disse que notou "muito mais contato visual e reconhecimento positivo de pequenos flertes e provocações". Ele disse que muitos participantes agradeceram a ele e sua equipe por organizar o evento.

"No geral, o evento parecia um grande sucesso", disse Hannaford em seu post. "Realizamos um evento de estilo de vida com os protocolos mais rígidos e fomos capazes de criar um evento que certamente não anunciaríamos como 'seguro', mas foi a versão mais segura possível que poderíamos planejar."

Então, um dia após o término da convenção, as mensagens de texto começaram, disse ele.

"Tivemos nosso primeiro caso positivo", relatou. "Foi uma mulher que testou positivo na noite de segunda-feira após o nosso evento. O teste do marido dela deu negativo. Ambos foram testados antes de vir para o evento."

Cinco pessoas testaram positivo na segunda-feira após a convenção, segundo Hannaford. Um dia depois, 14 casos foram confirmados. Na quarta-feira, pelo menos 29 participantes tinham o vírus.

  

Mesmo com os esforços para prevenir um surto, o vírus se espalhou para cerca de 1 em cada 6 pessoas que compareceram ao evento de swingers. Hannaford disse que a maioria dos casos eram assintomáticos ou leves, mas pelo menos uma pessoa teve que ser hospitalizada com um caso grave de covid-19.

"Se eu pensasse por um minuto que ele ou qualquer pessoa iria parar no hospital, certamente não teria realizado nosso evento", disse ele.

Nova Orleans relatou mais de 16.000 casos de coronavírus e 648 mortes desde o início da pandemia.

"Quando pedimos às pessoas que mantenham distância social, quando pedimos às pessoas que obedeçam às diretrizes de saúde pública, há uma razão para isso", disse um porta-voz de LaToya Cantrell, prefeita da cidade, em entrevista coletiva na terça-feira. "E quando essas diretrizes não são seguidas, você vê um aumento nas infecções, um evento superespalhador."

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