Eventos comemoram 500 anos dos museus do Vaticano

Os museus do Vaticano comemoram 500 anos de fundação e festejam com exposições e eventos. Cerca de 4 milhões de pessoas visitam por ano os Museus Vaticanos, cujo acervo é considerado um dos mais prestigiosos do mundo. No total são 13 museus distribuídos num complexo e articulado conjunto de galerias e salas, além da Capela Sistina, dos apartamentos do papa Borgia e das salas afrescadas por Rafael. Nestes espaços, em 500 anos, os pontífices romanos criaram e conservaram uma coleção sem igual, que percorre a história da cultura, da arte e da arquitetura ocidentais. Muitas obras foram encomendadas pelos papas a artistas e arquitetos, ao longo dos séculos. Outras foram compradas ou conquistadas. Além das famosas pinturas dos renascentistas, os museus conservam peças do antigo Egito e do período greco-romano, tapeçarias, mapas e até uma coleção com milhares de objetos usados por índios latino-americanos em ritos religiosos, que foram trazidos pelos primeiros evangelizadores. Índios brasileiros Só as peças provenientes de tribos indígenas brasileiras, conservadas no museu missionário etnológico, chegam a 4 mil. Em fase de reorganização, as obras ainda não podem ser visitadas. A paixão pela arte e o colecionismo dos pontífices criaram o conceito de museu, conforme explica o diretor dos acervos vaticanos, Francesco Buranelli, em entrevista à BBC Brasil. Tudo começou com o Laocconte, antiga escultura grega, descoberta em 14 janeiro de 1506, na área onde surgia a casa de Nero, o imperador que incendiou Roma. A estátua representa um personagem da mitologia, enquanto tenta salvar os dois filhos ameaçados por duas serpentes. Um dos primeiros a ver o Laocoonte foi Michelangelo, enviado ao local pelo papa Julio 2° para fazer uma avaliação. O pontífice mecenas protegeu e financiou alguns dos maiores artistas italianos, como Bramante, Rafael e Michelangelo - que, a seu pedido, realizou os afrescos da Capela Sistina. A estátua foi levada ao pátio do Belvedere, onde se encontra ainda hoje. A expressividade e os detalhes da escultura influenciaram pintores e escultores e os efeitos podem ser vistos nas obras expostas nos museus do Vaticano. Quem passava por Roma ia vê-la para buscar inspiração. Os 500 anos dos museus serão comemorados com uma série de eventos que começam no dia 16 de março e duram até novembro. Na programação há uma mostra especial do Laocoonte, a inauguração de uma nova área arqueológica próxima ao Vaticano e a apresentação do afresco restaurado de Pinturicchio, na sala dos Mistérios do apartamento do papa Borgia. Visitantes ?A organização é muito eficiente, tudo é muito bonito. As relíquias, a preciosidade das peças e a Sistina?, comentou um casal de brasileiros, do Paraná, depois de duas horas e meia de visita e uma espera de 40 minutos para entrar. As enormes filas que se formam quase diariamente são um problema. Para resolvê-lo está sendo projetada uma passagem subterrânea. Os turistas não reclamam porque o sistema é ágil. Apesar dos controles de segurança, entram de 35 a 39 pessoas por minuto. A maioria sai encantada com a Capela Sistina e com os afrescos de Michelangelo. ?É imperdoável vir a Roma e não vê-la?, comentou um turista chileno. Os afrescos da Sistina exercem uma grande atração, mas não são museu, como esclarece o diretor, Francesco Buranelli. Faz parte do palácio apostólico e é a principal capela do papa, ainda usada, como aconteceu no conclave que elegeu Bento 16, em abril do ano passado. ?Os papas chamaram os máximos artistas do Renascimento e Michelangelo para afrescá-la. É o tesouro por excelência da arte italiana e não podia ficar limitada a poucos eleitos. Os papas, com altruísmo, decidiram inseri-la no percurso dos museus e colocar à disposição de todos?, disse Buranelli, que coloca o valor artístico de todo o acervo no mesmo nível de importância. O que poucas pessoas sabem é que na história dos museus vaticanos há um brasileiro. Deoclecio Redig de Campos, considerado como um dos maiores estudiosos de Rafael e Michelangelo, foi diretor entre 1971 e 1978, além de responsável pela pinacoteca. Sob sua direção foram realizadas algumas importantes restaurações em afrescos destes dois artistas e na Pietá - estátua esculpida por Michelangelo que está na Basílica de São Pedro. Nos anos 70, ela havia sido atacada a marteladas por um vândalo. "Não é possível calcular o que ele deu aos museus vaticanos. Ele dedicou 40 anos, praticamente toda a sua vida?, disse sua filha, Daniela, que vive em Roma. Segundo Buranelli, Redig de Campos foi um grande diretor e seu principal legado foi sobretudo ligado à restauração das obras de arte.

Agencia Estado,

02 Março 2006 | 12h37

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