'Evidências' culpam Paquistão por ataque, diz Afeganistão

Governo afegão afirma que material usado e alvo apontam para serviços de inteligência paquistaneses

Agências internacionais,

08 de julho de 2008 | 08h14

O porta-voz do presidente afegão, Hamid Karzai, disse nesta terça-feira, 8, que oficiais do país possuem "evidências suficientes" para afirmar que os serviços de inteligência do Paquistão estão por trás do atentado contra a Embaixada da Índia em Cabul, que matou 41 pessoas. Um carro-bomba explodiu ontem diante do prédio da diplomacia indiana na segunda-feira, no ataque mais mortífero na capital afegã desde a queda do Taleban, sete anos atrás. Humayun Hamidzada afirmou que a "sofisticação do ataque e o tipo de material usado, o alvo específico, tudo tem sinais de uma agência particular que já promoveu ataques semelhantes no Afeganistão". Hamidzada não mencionou diretamente o Paquistão, mas disse aos repórteres que o responsável pelo atentado era "óbvio". As autoridades afegãs já haviam acusado agentes paquistaneses de estar por trás de vários atentados cometidos nas últimas semanas no Afeganistão. No mês passado, o presidente afegão, Hamid Karzai, ameaçou enviar seus soldados ao outro lado da fronteira para combater os militantes se o Paquistão não adotasse nenhuma medida para contê-los. O Paquistão, aliado-chave dos EUA em sua luta contra o terrorismo, tem sido pressionado a agir com mais rigor nas áreas tribais, na fronteira com o Afeganistão, onde militantes do Taleban e da Al-Qaeda estariam se reagrupando. Segundo autoridades afegãs, os grupos formados para desestabilizar o governo de Karzai seriam formados por militantes islâmicos e membros da agência de inteligência paquistanesa, a ISI - que ajudou a criar o Taleban, dando treinamento e recrutando estudantes de escolas corânicas (madrassas) ou refugiados afegãos em campos no Paquistão. A embaixada indiana é considerada um símbolo dos esforços da Índia de estabelecer uma maior influência no Afeganistão desde a invasão liderada pelos EUA, em outubro de 2001. Segundo analistas, a crescente presença da Índia no Afeganistão, com a abertura de consulados em várias cidades e a participação na reconstrução, reavivou a competição com o Paquistão, seu rival histórico. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque e um porta-voz do Taleban, Zabiullah Mujahid, negou que seus militantes tenham sido os responsáveis. O Taleban costuma assumir a responsabilidade por ataques contra as forças internacionais ou os soldados afegãos, mas geralmente nega envolvimento em atentados com muitas vítimas civis.

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