JAVIER MAMANI / AFP
JAVIER MAMANI / AFP

Evo diz que perdeu batalha e não a guerra com revés em referendo

‘Batalha democrática foi perdida, mas não a guerra. O trabalho não terminou’, diz presidente, que preferiu não falar sobre sucessores

O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2016 | 18h17

LA PAZ -  O presidente da Bolívia, Evo Morales, reconheceu nesta quarta-feira, 24,  sua derrota no referendo sobre a alteração da Constituição do país para permitir-lhe disputar sua terceira reeleição. Na madrugada, o Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia ratificou a vitória do “não” por dois pontos porcentuais (51% a 49%). A derrota é a primeira de Evo desde que ele chegou ao poder em 2006.

“Perdemos uma batalha democrática, mas não a guerra. O trabalho de Evo ainda não terminou”, disse o presidente, que atribuiu a derrota a uma “guerra suja” da oposição e agentes externos. 

Evo evitou falar sobre nomes para substituí-lo no cargo. “Ainda não é o momento de falar sobre um sucessor. Há bastante tempo para isso”, afirmou. Ainda ontem, o jornal chileno La Tercera informou que o chanceler David Choquehuanca está entre os mais cotados para suceder Evo, o primeiro presidente de origem indígena da Bolívia. 

O presidente ainda declarou que não tentará por outros mecanismos voltar a concorrer em 2019, mas ressaltou que o referendo foi uma “primeira experiência” para modificar a Carta Magna mediante o voto popular e opinou que “talvez o povo ainda não queira a modificação da Constituição de 2009”.

Nas três eleições que disputou, o presidente boliviano teve ao redor de 60% dos votos. Em Santa Cruz de La Sierra, capital do principal departamento de oposição ao Evo, as pessoas saíra, às ruas para comemorar. 

“A oposição a Evo tradicional na classe média foi fortalecida por eleitores que compunham a sua base”, disse o diretor do Centro para a Democracia, Jim Shultz. “Não é uma mudança ideológica, mas uma rejeição à corrupção e a permanência por muito tempo no poder.”

Para o estudante de contabilidade José Luis Choque, o resultado foi um aviso para Evo. “Acredito que se ele quer terminar seu mandato em paz precisa entender que precisa voltar a ser quem era antes de ser presidente, quando ele tinha ideais e era benquisto pelo povo”, afirmou./ AP e EFE

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