Evo cede à oposição, mas mantém greve

Presidente aceita digitalizar registro de eleitores para evitar fraudes

AP E AFP, O Estadao de S.Paulo

13 de abril de 2009 | 00h00

O presidente boliviano, Evo Morales, entrou ontem no quarto dia de greve de fome, mas deu um passo atrás na queda de braço com os parlamentares opositores pela aprovação de uma lei eleitoral que permite a realização de eleições gerais em 6 de dezembro.Evo - que desde quinta-feira está em jejum, acampado no palácio do governo, em La Paz, com 14 líderes camponeses e sindicais - disse que aceita financiar a digitalização do registro dos 4 milhões de eleitores bolivianos desde que isso não altere a data prevista para as eleições.A medida deve diminuir a tensão no Congresso e permitir que os parlamentares voltem a trabalhar depois de dois dias de paralisação.FRAUDEA medida atende a uma das principais reivindicações dos parlamentares opositores, que suspeitam que até 30% dos títulos eleitorais do país estejam fraudados ou contenham erros como duplicação do registro e grafia incorreta de nomes.A oposição vinha pedindo um novo censo eleitoral na Bolívia, o que acabaria retardando as eleições de 6 de dezembro.Evo aceitou financiar a construção de um sistema de registro digital, "desde que a Corte Nacional Eleitoral garanta as eleições na data prevista".O governo acusa a oposição de atrasar o debate sobre a nova lei eleitoral no Congresso tentando ganhar tempo para construir uma candidatura que tenha chances de vitória contra Evo, no fim do ano. "Eles sabem que eu posso ser reeleito e têm medo disso", disse o presidente boliviano.Os principais líderes da oposição não se manifestaram sobre a proposta de Evo, mas os deputados Rodrigo Ibáñez e Arturo Murillo haviam se comprometido a voltar ao Congresso e participar da sessões já na noite de ontem.

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