Evo completa processo de nacionalização do setor de gás

A dois dias do referendo constitucional, militares ocupam petrolífera Chaco

EFE, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

O presidente da Bolívia, Evo Morales, assinou ontem um decreto que nacionaliza a empresa petrolífera Chaco, de capital britânico e argentino. O anúncio da nacionalização foi feito no campo de El Carrasco, em Cochabamba, operado pela empresa, num ato do qual também participaram militares e sindicalistas. Simultaneamente, o Exército ocupou os escritórios da Chaco em La Paz e na cidade de Santa Cruz de La Sierra. Há dias, a empresa havia anunciado investimentos de US$ 64 milhões na produção de gás na Bolívia. A medida, tomada após o fracasso das negociações entre a Chaco e o governo boliviano, completa o processo de nacionalização do setor de gás, iniciado por Evo há quase dois anos. Cerca de 50% da empresa estava nas mãos da argentina Pan American Energy (PAE), cujo capital está dividido entre a British Petroleum (60%) e a também argentina Bridas (40%). Pelo decreto, a estatal YPFB assume o controle de 99% da Chaco. No fim da tarde, a PAE emitiu um comunicado dizendo que "defenderá seus interesses legítimos em todas as instâncias."Segundo o partido opositor Podemos, a nacionalização foi uma medida eleitoreira de Evo, que estaria tentando sua última cartada para ganhar mais apoio para o referendo constitucional deste domingo. O presidente encerrou sua campanha pelo "sim" na quinta-feira, afirmando que o seu projeto revolucionário "é irreversível" e resistirá por muitos anos. "Ninguém vai parar essa revolução democrática e cultural", afirmou Evo, num discurso na frente do palácio presidencial, em La Paz. "Essa revolução democrática tem de ser garantida por muitos anos, para toda vida."O projeto de Carta que irá a consulta popular amplia o controle do Estado sobre a economia e incorpora novos direitos e privilégios para os indígenas. Ele também reconhece mais autonomia para os Departamentos e municípios, embora mantenha o controle da política fiscal, energética, externa e de segurança nas mãos do governo central. Os líderes das quatro regiões opositoras - Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - também encerraram suas campanhas pelo "não" com grandes comícios. "Evo é um ditador e quer ficar no poder por toda sua vida", disse o presidente do Comitê Cívico pró-Santa Cruz, Branko Marinkovic.

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