Evo convoca governadores para diálogo

Enquanto multidões se concentravam nas capitais departamentais de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, o presidente boliviano, Evo Morales, convocou nesta sexta-feira, 15, os governadores e líderes cívicos dos nove departamentos (Estados) do país para um diálogo sobre o sistema de votação da Assembléia Constituinte - principal ponto de divergência entre o governo e a oposição da Bolívia."Essa foi uma decisão tomada em conjunto pelo presidente da república e pelos deputados constituintes", afirmou o líder da bancada governista na assembléia e dirigente do partido Movimento ao Socialismo (MAS), César Navarro. "Há uma predisposição de nos reunirmos com dirigentes cívicos e governadores em Sucre."É a primeira vez que o MAS, que tem 137 dos 255 deputados constituintes, aceita discutir a fórmula de votação dos artigos da futura Constituição desde que aprovou o regimento interno da assembléia, que lhe permite aprovar medidas por maioria de 50% mais um dos votos. A oposição insiste na necessidade da maioria de dois terços para todas as fases da redação da nova Carta.Em protesto contra o "rolo compressor" do MAS na assembléia, líderes e militantes de partidos contrários a Evo iniciaram uma greve de fome há dez dias. Na quinta-feira, 14, eles suspenderam a greve de fome para prepararem as assembléias populares desta sexta nos quatro departamentos que demandam autonomia.Segundo Navarro, o encontro com os líderes departamentais se realizará em Sucre, capital oficial do país e onde a Assembléia Constituinte foi instalada em agosto. "O objetivo do encontro não é simplesmente modificar o artigo 70 (do regimento interno, que estabelece a forma de votação), mas garantir que o texto do projeto de Constituição esteja pronto em 6 de agosto de 2007 (prazo legal para o fim dos trabalhos)", afirmou Navarro.O deputado acrescentou que Evo decidiu "flexibilizar" a posição do governo depois de uma reunião com os líderes do MAS na quinta-feira. A Constituinte retomou suas sessões no mesmo dia - com a ausência dos deputados da oposição - para rever o sistema de votação, mas a mesa diretora da Casa adiou a plenária para a segunda-feira.Para o partido Poder Democrático e Social (Podemos), o maior da oposição a Evo, só a imposição da maioria de dois terços poderia forçar o MAS a debater as propostas da futura Constituição com as demais forças políticas. Até a noite desta sexta-feira, os líderes da oposição ainda não tinham respondido à convocação do presidente.Evo tem insistido que uma nova Constituição será a principal ferramenta para que cumpra a promessa de campanha de "refundar a Bolívia". A oposição boliviana, no entanto, teme que a nova Carta amplie os poderes do presidente e abra o caminho para a adoção de medidas que ponham em risco o direito à propriedade e demais garantias individuais.

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