Reynaldo Zaconeta/Courtesy of Bolivian Presidency
Reynaldo Zaconeta/Courtesy of Bolivian Presidency

Evo critica Trump e ‘fascismo’ por festejarem morte de Fidel Castro

Presidente boliviano disse que celebração reflete ‘cultura do imperialismo e do capitalismo’

O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2016 | 16h36

LA PAZ - O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou neste domingo, 27, o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, e o "fascismo" por fazerem uma "festa" para celebrar a morte do líder da Revolução Cubana, Fidel Castro.

"Quase todo mundo chora, faz uma homenagem póstuma a Fidel, mas o presidente eleito dos EUA com um grupo de pessoas faz festa. Não posso entender e quero dizer a eles que o fascismo, com muito cinismo, festeja a morte de Fidel", disse Morales em um discurso.

Em um ato diante de uma comunidade indígena aimara, o líder boliviano também afirmou que a posição de Trump e dos que comemoraram a morte do histórico líder cubano refletem "a cultura do imperialismo e do capitalismo". "Vocês sabem, quando alguém morre em uma comunidade (indígena) não importa se há problemas, todos fazemos uma homenagem, todos fazemos o enterro", argumentou.

Morales voltou a elogiar a figura do revolucionário cubano e o chamou de "avô sábio", destacou a luta contra o "imperialismo" e o comparou ao líder indiano Tupac Katari, que em 1781 liderou um levante contra a colônia espanhola no território andino onde hoje é a Bolívia.

Trump, que assumirá a Casa Branca em janeiro, prometeu no sábado que seu governo fará "todo o possível para garantir que o povo cubano possa iniciar finalmente seu caminho rumo à prosperidade e à liberdade", em comunicado sobre a morte de Fidel Castro, a quem considerou um "brutal ditador".

O magnata republicano se pronunciou em comunicado no qual ressaltou que Castro "oprimiu o próprio povo" e que com sua morte, aos 90 anos, deixa "um legado de fuzilamentos, roubo, sofrimento inimaginável, pobreza e negação de direitos humanos fundamentais".

No sábado, Morales afirmou perante apoiadores que, após a morte de Fidel Castro e do líder venezuelano Hugo Chávez, em 2013, seguirá lutando "com mais força" contra o "império americano". "Certamente alguns dirão que, como não há Fidel, nem Hugo, não há luta. Com mais força, irmãos e irmãs, vamos continuar lutando contra essa dominação, contra essa humilhação que vem do império americano nestes tempos", declarou Morales.

Bolívia e EUA não têm relações em nível de embaixadores desde que, em 2008, o líder boliviano expulsou o embaixador Philip Goldberg, e Washington respondeu da mesma maneira ao devolver o representante boliviano Gustavo Guzmán. / EFE

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