REUTERS/Alessandro Bianchi
REUTERS/Alessandro Bianchi

Evo dá ao papa cruz em forma de foice e martelo e  é criticado

Vaticano nega que Francisco tenha tido uma reação negativa ao presente, réplica de escultura de jesuíta morto na ditadura

O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2015 | 15h47

LA PAZ- O presidente da Bolívia, Evo Morales, foi alvo de críticas na Bolívia na quarta-feira, 08, ao presentear o papa Francisco com um crucifixo no formato de uma cruz e um martelo – símbolo dos regimes comunistas do século 20, de autoria de um jesuíta espanhol morto pela ditadura boliviana nos anos 80. O Vaticano negou que o papa tenha tido uma reação negativa ao presente. O líder boliviano tem uma relação tensa com a Igreja Católica em seu país.Nas redes sociais, na Bolívia e em outros países, Evo também foi criticado. 

“O papa não teve uma relação particular a isso e nem se manifestou de maneira negativa sobre esse assunto”, disse o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi.

A “cruz comunista” é uma réplica de uma figura esculpida pelo jesuíta espanhol Luis Espinal Camps – torturado e morto por paramilitaresem 1980 ao denunciar a violência política no país durante a ditadura Luís García Meza. "Foi pedido aos jesuítas que estavam na missa por algo desenhado por Espinal. Não é algo que fosse de conhecimento geral e não tem um significado ideológico particular, mas sim de diálogo e liberdade”, acrescentou o porta-voz. 

Partidos de oposição a Evo na Bolívia, no entanto, criticaram o presente. “Que vergonha dar um Cristo cruficicado em uma foice e um martelo, o símbolo do comunismo ateu”, afirmou a ex-deputada Alejandra Prado.

O deputado opositor Bernard Gutiérrez disse que o presidente se equivocou porque a cruz de Espinal tem especifidade muito particulares compreendidas apenas na Bolívia, mas que pode ser mal interpretada no exterior. “ Acredito que o papa teve uma reação adversa. A expressão dele diz tudo”, disse. 

O jesuíta espanhol Xabier Albó, companheiro de catequese de Espinal na Bolívia, disse na semana passada que os sacerdotes da ordem na época faziam esculturas em madeira sobre temas vinculados a sua vivência. Segundo ele, a cruz com a foice e o martelo expressam o diálogo cristão e marxista com trabalhadores e camponeses. /  EFE e AFP


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.