Evo defende alta nos combustíveis e população protesta

O presidente da Bolívia, Evo Morales, defendeu hoje o aumento decretado pelo governo nos preços dos combustíveis, que tiveram alta entre 73% e 99% no domingo passado, ao dizer que quase a metade da gasolina e do diesel que o Estado boliviano subvencionava era depois desviado pelo mercado negro e vendido a preço mais alto em postos de combustíveis nas fronteiras.

AE, Agência Estado

29 de dezembro de 2010 | 15h10

"Por suposto, é claro que com isso (o aumento) os preços subirão um pouco. Mas também vamos aumentar os salários", disse o mandatário boliviano. Ainda hoje, Evo anunciará na televisão estatal medidas adicionais, não adiantadas pelo governo.

Após manter os preços dos combustíveis congelados durante quase seis anos, o governo boliviano praticamente eliminou os subsídios aos combustíveis no domingo, mediante um decreto. O preço da gasolina subiu 73%, do diesel 83% e do querosene de aviação 99%, no mais duro ajuste dos últimos tempos. O preço do gás de cozinha foi mantido com subsídios estatais. Os governos anteriores optavam por reajustes graduais.

Desde a segunda-feira estouraram greves na Bolívia. O dirigente da Central Operária Boliviana (COB), Pedro Montes, assinalou que sua central sindical rechaça o "gasolinazo" e convocou um protesto maciço, embora sem mencionar o dia e o lugar, por estratégia, como explicou.

Os motoristas dos transportes públicos rechaçaram de imediato os aumentos de preços com uma greve que começou na segunda-feira, embora o movimento tenha perdido um pouco de força ontem. O principal dirigente sindical do setor, Franklin Durán, convocou os trabalhadores para outra paralisação amanhã.

Passagens

Empresários do transporte coletivo reajustaram as passagens de ônibus em mais de 60%, enquanto empresários e o governo se reúnem para chegar a um acordo sobre o porcentual de incremento nas tarifas oficiais. Durán explicou que agora os empresários pedem um aumento superior a 100% na tarifa.

Imagens da televisão mostraram que pelo menos em três cidades bolivianas grupos de mulheres saíram em protesto hoje, batendo panelas e denunciando a alta nos preços dos alimentos.

A estatal Empresa de Apoio à Produção de Alimentos (EMAPA) aumentou em 15% o preço do açúcar, do óleo de cozinha e de outros produtos que vende no varejo. A EMAPA foi criada por Evo para vender alimentos à população a menor preço que no comércio varejista. Nas portas dos supermercados estatais de Evo, centenas de pessoas faziam longas filas em busca de mantimentos, desde a manhã de hoje.

O ministro da Economia, Luis Arce, reconheceu que a medida "é dura" e que mais adiante os preços dos combustíveis estarão "indexados" ao preço internacional do petróleo. As informações são da Associated Press.

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