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Evo defende na ONU legalização do consumo de folhas de coca

Presidente boliviano diz que EUA usam combate ao tráfico de drogas para legitimar suas pretensões geopolíticas

VIENA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2012 | 03h02

O presidente da Bolívia, Evo Morales, defendeu ontem, em uma cúpula da ONU sobre o consumo de drogas, o direito dos povos indígenas bolivianos de mascar a folha de coca - matéria-prima para a produção de cocaína. Evo também acusou os EUA de transformar a luta contra o tráfico de drogas em um instrumento geopolítico.

"Esperamos que os presentes nesta sala reconheçam que mascar folha de coca é uma tradição milenar boliviana", disse o presidente. "Estamos conscientes dos danos que a cocaína provoca e estamos trabalhando contra o narcotráfico, mas queremos o reconhecimento desse direito ancestral."

A folha de coca foi declarada um narcótico ilegal pela ONU em 1961. Indígenas bolivianos e de outros países andinos mascam a planta para amenizar os efeitos da altitude. A coca é usada também em rituais religiosos.

Evo, que foi representante sindical dos plantadores de folha de coca antes de chegar à presidência, mostrou outros produtos feitos com a planta em seu discurso, como geleia e chá. A Bolívia é o terceiro maior produtor de cocaína do mundo, atrás de Peru e Colômbia.

No começo do mês, a DEA (a agência antidrogas do governo americano) acusou a Bolívia de não cumprir suas obrigações com os acordos internacionais antidrogas. "A falta de fiscalização tem levado a Bolívia a elevados níveis de produção de coca e cocaína", disse a DEA, cujos agentes foram expulsos da Bolívia por Evo há três anos, por meio de comunicado.

"Lamentavelmente, os EUA usam a luta contra as drogas para mascarar seus objetivos geopolíticos", declarou Evo. "A DEA usava seus agentes na Bolívia para prender militantes sindicais anti-imperialistas. Expulsamos a DEA da Bolívia, mas acredito que ela ainda trabalhe camuflada em nosso país", acrescentou. / EFE e REUTERS

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