Pedro Pardo / AFP
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Evo diz que sofreu atentado fracassado quando seu helicóptero fez pouso de emergência

Ex-presidente boliviano acusa comandante-geral da Força Aérea de estar por trás da tentativa de assassinato

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2019 | 08h52
Atualizado 22 de novembro de 2019 | 12h12

MOSCOU - O ex-presidente da Bolívia Evo Morales, asilado no México, denunciou que está "convencido" de que no dia 4 de novembro sofreu um atentado fracassado, quando o helicóptero em que viajava apresentou um problema mecânico e fez um pouso de emergência

"Surpreendentemente, o helicóptero baixou. Eu ainda estava pensando que era por um problema, mas agora estou convencido de que foi um ataque", disse Evo, em entrevista realizada pelo ex-presidente equatoriano Rafael Correa para a rede de televisão russa RT e transmitida nesta sexta-feira, 22.

Evo Morales acusou o comandante-geral da Força Aérea, o general Jorge Gonzalo Terceros Lara, de estar por trás da tentativa de assassinato. "Terceros cometeu este atentado (...). Porque nos últimos dias esse general já mudou", lembrou Evo.

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Falha mecânica

Em 4 de novembro, a Força Aérea da Bolívia informou que o helicóptero que levava o presidente boliviano fez um pouso de emergência por causa de "uma falha mecânica no motor de cauda durante a decolagem".

Evo explicou naquele dia que o incidente, após a inauguração de uma estrada ao sul de La Paz, seria "devidamente investigado". O ex-ministro do Governo Hugo Moldiz disse na época que havia sido um "atentado criminoso".

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"Viajo muito de helicóptero todos os dias. Dos nove departamentos que a Bolívia possui, meu recorde é de cinco departamentos (em um dia). Viagens de helicóptero, avião, helicóptero, avião. Com ventania, chuva, às vezes nebulosidade. Desta vez (havia apenas) um pouco de garoa. Isso me surpreendeu", disse Evo em sua entrevista com Correa.

Fim da era Evo

O ex-presidente boliviano lembrou que naquele dia o líder opositor Luis Fernando Camacho, um dos articuladores de sua saída do governo, adiantou o fim da era de Evo a seus seguidores.

"Naquele dia, Camacho disse: 'Na segunda-feira, vão ver como Evo vai cair, vamos mostrar em vídeo'. E à noite, depois que sua vida foi salva, ele não mostrou nada. Ele queria mostrar como o helicóptero caiu e como Evo morreu", disse o ex-mandatário. 

A Bolívia vive uma grave crise desde as eleições de 20 de outubro, nas quais Evo, no poder desde 2006, aspirava ser reeleito. A oposição denunciou fraude e as Forças Armadas retiraram seu apoio ao então chefe de Estado, que renunciou e deixou o país. Até o momento, a violência já causou 32 mortes.

Senado estuda lei para convocar eleições

O Senado boliviano está dando os últimos retoques a uma lei que pede novas eleições gerais e a eleição das autoridades do órgão eleitoral, um passo essencial para pacificar o país, imerso em protestos políticos com confrontos violentos.

Uma comissão da Câmara Alta está em fase final para concluir esta lei, que poderá ser aprovada em breve. "Esperamos terminar o trabalho da comissão nesta sexta-feira e apresentar (o projeto) ao plenário do Senado", disse na quinta o senador oficial e presidente da comissão interpartidiária, Oscar Ortiz. 

Após sua aprovação no Senado, a lei deve passar na Câmara dos Deputados e, em uma etapa final, ser encaminhada ao Poder Executivo para sanção constitucional. 

Mas a comissão de parlamentares e o Movimento para o Socialismo (MAS), partido de Evo Morales, ainda não conseguiram entrar em um acordo sobre quando convocar eleições ou se o ex-chefe de Estado poderá participar do processo. 

Há um acordo para renovar todos os sete ministros do Supremo Tribunal Eleitoral, após a prisão de suas autoridades por crimes eleitorais. 

Ortiz acredita que nem Evo, nem seu vice-presidente Álvaro García, podem participar das eleições, porque a Constituição permite apenas uma reeleição, já obtida por ambos. / AFP

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