Evo é reeleito, mas conquista da maioria no Congresso é dúvida

Evo é reeleito, mas conquista da maioria no Congresso é dúvida

Partido do presidente boliviano conseguiu a maioria no Senado, mas na Câmara dos Deputados, levantamentos mostram disputa acirrada

Murillo Ferrari, enviado especial / La Paz, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2014 | 11h49

LA PAZ - Se as pesquisas de boca de urna não deixam dúvidas sobre a conquista de um terceiro mandato à frente da Bolívia pelo presidente Evo Morales, do partido Movimento ao Socialismo (MAS), que deve conseguir uma vantagem de mais de 35 pontos porcentuais sobre seu principal adversário, o mesmo não pode ser dito sobre a formação do novo Congresso do país.


Segundo sondagem das empresas Ipsos e Equipos Moris, Evo conquistou entre 59,5% e 61% do eleitorado. Seu principal adversário, Samuel Doria Medina, teve entre 24% e 25%. O ex-presidente Jorge Quiroga ficou na terceira posição, com aproximadamente 9,5%.

Os levantamentos mostram também que o MAS teria obtido 25 cadeiras no Senado, contra 9 da Unidade Democrática (UD), de Samuel Doria Medina, principal opositor de Evo, e 2 do Partido Democrata Cristão (PDC), do ex-presidente Jorge Quiroga. Já na Câmara dos Deputados, o MAS teria obtido 86 deputados, contra 41 da UD, 12 do PDC, 1 do Partido Verde da Bolívia e 1 do Movimento Sem Medo.

Em comparação com a eleição de 2009, o MAS teria um pequeno recuo, de 114 parlamentares (88 deputados e 26 senadores) para 111. Com esse resultado, o partido de Evo teria maioria no Senado, mas precisaria de mais um deputado para conseguir a maioria de dois terços da Câmara baixa necessária para aprovar reformas na Constituição, por exemplo.

É importante ressaltar que quando o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) divulgar o resultado oficial pode haver uma variação no número de deputados de cada partido em razão do sistema de votos utilizado na Bolívia. Isso porque os senadores e deputados plurinominais são escolhidos com base na votação que os partidos obtêm na disputa presidencial, mas os deputados dos distritos são escolhidos de forma separada - chamada de uninominal. E as pesquisas de boca de urna podem não conseguir captar com precisão esses votos cruzados.

Avanço. Com relação à disputa presidencial nos Departamentos (Estados) bolivianos, as pesquisas mostram que Evo deve vencer em oito dos nove Departamentos - um feito inédito desde que foi eleito pela primeira vez, em 2005. O Departamento de Beni seria a única exceção, onde Doria Medina teria 49% dos votos contra 43% de Evo. Essa pode ser também a primeira vez que o ex-líder cocaleiro conquista o Departamento de Santa Cruz - considerado motor econômico do país - e um dos principais redutos da oposição.

No entanto, o cientista político Carlos Cordeiro afirma que o desempenho de Evo também tem um ponto negativo. "É importante destacar que ao mesmo tempo em que o presidente e seu partido aumentaram seus votos no oriente do país e conquistaram vitórias importantes em antigos redutos da oposição, eles também viram sua vantagem diminuir em Departamentos onde tiveram ampla maioria em outras eleições", disse o especialista.

Repercussão. Pelo menos quatro países já parabenizaram o presidente Evo Morales por sua reeleição, apontada por pesquisas boca de urna: Venezuela, Cuba, Espanha e França.

Em sua conta no Twitter, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, escreveu duas mensagens sobre o resultado favorável a Evo, seu parceiro na região. "Evo, grande vitória da Pátria Sul-americana. Da Venezuela, te enviamos um abraço de felicitação. Sigamos Vencendo!!" e "Viva a Bolívia, viva Túpac Katari, viva Simón Bolívar, viva Sucre, viva Hugo Chávez... viva Fidel... viva Evo", escreveu o líder bolivariano.

Outro governo amigo do ex-líder cocaleiro boliviano, Cuba destacou por meio de artigos publicados na imprensa estatal a ampla vantagem obtida por Evo contra seus adversários. "Uma contundente vitória de Evo Morales na Bolívia", foi o título da reportagem do jornal Granma, que ainda afirmou: "o primeiro presidente indígena da Bolívia voltou a fazer história ao obter um contundente triunfo na eleição de domingo, que garante a continuidade até 2020 do processo de mudança iniciado em 2005".

Já a Espanha e a França se manifestaram por meio de seus ministros de Relações Exteriores, que desejaram "os maiores êxitos no próximo mandato presidencial" e manifestaram o interesse de ampliar suas relações com a Bolívia "em todos os sentidos". / COM AFP e EFE

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