Evo insiste em greve de fome e agrava crise

Oposição abandona o Congresso antes de votar reforma eleitoral

LA PAZ, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

O presidente boliviano, Evo Morales, entrou ontem no segundo dia de greve de fome para pressionar o Congresso a aprovar a reforma eleitoral que permita a realização de eleições gerais em 6 de dezembro - nas quais Evo concorrerá à reeleição e serão escolhidos 166 deputados.Evo tomou a decisão depois que congressistas de oposição abandonaram o Congresso na noite de quinta-feira durante a segunda votação da lei eleitoral. Os políticos deixaram o plenário horas depois de a polêmica lei ser aprovada em primeira votação, o que indicava uma vitória governista.A oposição critica a lei principalmente por reservar 14 assentos no Congresso a grupos indígenas, tradicionalmente aliados de Evo. O impasse no Congresso ameaça levar a Bolívia a uma nova crise política que pode inviabilizar o cumprimento dos prazos eleitorais definidos pela nova Constituição, aprovada em janeiro e promulgada por Evo em fevereiro. A nova Carta foi aprovada após violentas disputas e manifestações de rua que se espalharam por diversos Estados bolivianos.O governo acusa a oposição de colocar entraves à aprovação da lei na tentativa de postergar as eleições de dezembro. Um prazo maior antes da eleição daria aos opositores mais tempo para preparar uma candidatura capaz de enfrentar Evo nas urnas.DISPUTA"Eles, com certeza, querem me cansar", disse Evo aos jornalistas, descalço, sentado sobre um colchão colocado no chão do palácio de governo, onde passou o dia lendo jornais e mascando folhas de coca - tradicionalmente usadas pelos indígenas para amenizar as sensações provocadas pelo jejum prolongado.Evo lembrou que essa não é sua primeira greve de fome. Em 2004, quando foi expulso do Congresso, ficou em jejum "por mais de 18 dias". Ontem, além de 14 líderes sindicais e camponeses, outros mil militantes de movimentos sociais também se uniram ao presidente na greve de fome.O senador de oposição Carlos Borth, um dos responsáveis pela negociação com a bancada governista, disse que o Congresso não retomará a votação enquanto não houver um clima de cooperação entre as partes.Borth prevê que as negociações não serão reiniciadas antes de segunda-feira, pois muitos congressistas viajaram a seus Estados de origem para o feriado de Páscoa. O presidente boliviano pediu que a Justiça estude medidas punitivas para os congressistas opositores que "abandonem ou fujam" das votações no Congresso.A sessão de quinta-feira foi suspensa quando apenas 27 dos 38 artigos da lei eleitoral tinham sido aprovados. A nova Constituição boliviana determinava que o Congresso aprovasse dentro de um prazo máximo de 60 dias - que expirou na quarta-feira - a lei eleitoral que deveria reger a campanha para as eleições de 6 de dezembro.Entre os pontos de discórdia entre governo e oposição estão a proposta de um censo sobre os 4 milhões de eleitores para detectar registros eleitorais suspeitos, o direito a voto para bolivianos que vivem no exterior e a revisão do número de vagas no Congresso para parlamentares indígenas. AP, EFE E AFPDIVERGÊNCIAS Censo - Opositores pedem revisão dos 4 milhões de títulos eleitorais bolivianos Indígenas - Governistas pedem que 14 vagas no Congresso sejam para indígenas. Oposição quer no máximo 8 Voto no exterior - Governo defende a inclusão dos votos de 2,1 milhões de bolivianos que vivem no exterior. Para a oposição, há riscos de fraude

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