Evo lança jornal estatal a três dias de referendo

Publicação chega às bancas no mesmo dia em que pesquisa indica liderança de 66% do ?Sim? para a aprovação da nova Carta no domingo

AP e Reuters, La Paz, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

A três dias do referendo que decidirá sobre a aprovação da nova Constituição boliviana, o presidente Evo Morales lançou um jornal estatal para se "defender" dos opositores. No mesmo dia, o governo também divulgou uma pesquisa que indica a liderança do "Sim" na eleição de domingo.A publicação do governo recebeu o nome de Cambio e chegou às bancas no aniversário de três anos da posse do presidente. "As mentiras da oposição nos obrigaram a ter nosso próprio meio", afirmou Evo. Em formato de tabloide, a primeira edição do jornal tem estampada em sua capa uma foto do presidente de mãos dadas com crianças sob a manchete: "Bolívia segue no caminho da renovação." Debaixo do nome da publicação, vai o slogan "A verdade nos libertará".A edição de 36 páginas custa 2 bolivianos (US$ 0,28) - cerca da metade do preço das outras publicações - e traz bastante publicidade de órgãos do governo. Uma das colunas de opinião traz o título "Bolívia: o primeiro Estado pós-capitalista?".Segundo Evo, a imprensa do país só ataca sua administração. O presidente disse que muitos dos jornais e das redes de TV trabalham para "manchar" sua imagem. No mês passado, ele ameaçou parar de dar entrevistas para jornalistas locais, os quais acusa de representarem magnatas da imprensa que seriam aliados de seus opositores de direita. Alguns meios de comunicação do país publicam com frequência editoriais acusando o presidente se der um "anticatólico comunista" e uma "marionete" do presidente venezuelano, Hugo Chávez.Além do jornal estatal, o governo da Bolívia tem uma agência de notícias, uma emissora de TV, uma revista semanal e uma rede de emissoras de rádio. Evo conseguiu fortalecer o aparato de comunicação do Estado com o apoio econômico do governo da Venezuela.CAMPANHA PELO ?SIM?O governo de Evo divulgou ontem uma pesquisa na qual o "Sim" pela aprovação da Carta tem uma liderança de 66%. Já o "Não" obteve 31% das intenções de voto. O vice-presidente Álvaro García Linera advertiu ontem que caso o "Sim" ganhe no referendo constitucional de domingo, o texto aprovado será aplicado em todo o território nacional, sem exceção."O resultado de circunscrição nacional vale para todo o restante do país", afirmou García Linera. "O que a maioria manda deve ser cumprido pelos outros e não vamos permitir nem tolerar esses esforços de criar pseudo republiquetas em regiões que desconhecem a Constituição e se opõem à democracia."As declarações do vice-presidente foram feitas em resposta às advertências que alguns líderes regionais fizeram, afirmando que a nova Carta só deveria entrar em vigor nos Departamentos (Estados) em que foi aprovada. O presidente do comitê cívico de Beni, Alberto Melgar, afirmou que a aplicação no texto não seria aceita caso o projeto fosse rejeitado na região. O deputado do partido Unidade Nacional Arturo Murillo também disse que além das considerações legais, se a Carta for aprovada em apenas cinco dos nove Departamentos bolivianos não terá legitimidade suficiente para sua implementação.Linera rebateu, afirmando que a lei é clara em sua definição de que o resultado do referendo deve ser aplicado em todo o país e não faz menção a outros tipos de delimitações territoriais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.