Evo manobra para governar até 2018, diz jornal

O presidente da Bolívia, Evo Morales, colocou em andamento uma estratégia eleitoral para permitir-lhe governar até 2018, o que incluiria a legalização do voto dos emigrantes e dos jovens de 16 a 18 anos, segmentos que totalizam 3,5 milhões de eleitores. A informação foi publicada nesta segunda-feira, 2, pelo jornal La Razón.De acordo com a publicação, em 17 de março, quando Evo anunciou a antecipação das eleições para 2008, ele dava início "à segunda fase do projeto socialista pelo qual pretende ficar no poder por pelo menos uma década".Para isso, dirigentes do governista Movimento ao Socialismo (MAS) incluíram na nova Carta Magna a possibilidade de reeleição e anunciaram que o atual chefe de governo boliviano será candidato em 2008.A reportagem afirma que, pelos planos dos governistas, a eleição do próximo ano será a primeira de um novo Estado com uma nova Constituição, e valerá para o período de 2008 a 2013. Isso permitiria, portanto, a possibilidade de uma reeleição para outros cinco anos, até 2018. Desta forma, o pleito vencido por Evo com 53,7% dos votos em 2005 não se somaria aos demais."Este foi nosso objetivo desde a fundação do instrumento político. Os setores acreditam que Evo Morales deve ficar 50 anos ou mais, se for possível", disse o vice-presidente do MAS, Gerardo García, à publicação.Segundo o La Razón, como não é fácil repetir o índice de 53,7% obtido em dezembro de 2005, maioria sem precedentes na democracia boliviana, o MAS trabalha com diferentes cenários para fazer com que Evo continue no poder.Um deles é a proposta que o presidente boliviano encaminhou à Assembléia para permitir o voto dos jovens com idade superior a 16 anos, em vez do mínimo de 18 anos que vigora hoje. A medida acarretaria um aumento de 419 mil eleitores, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística.Este número é quase um terço dos 1,54 milhão de votos conquistados pelo MAS em 2005. O jornal acrescenta que o partido governista também deseja incluir na nova Constituição o sufrágio dos emigrantes.O Ministério de Planejamento da Bolívia calcula em três milhões o número de bolivianos fora do país, "a maior parte em idade de votar e que se sente vítima da desatenção dos antigos regimes", afirmou a publicação.Propaganda"A conquista destes novos nichos de votação requer um trabalho propagandístico e este trabalho está a cargo da imprensa do Estado", acrescentou o La Razón.O presidente boliviano, que critica freqüentemente os jornalistas e os veículos de comunicação privados, instalou 29 rádios comunitárias com ajuda da Venezuela, contabilizando as que começarão a operar esta semana.O porta-voz da Presidência, Álex Contreras, afirmou que estas emissoras "não serão instrumento de campanha política", mas as que já estão em funcionamento transmitem propagandas com a mensagem: "Evo cumpre". Além disso, o governo tem um canal de televisão estatal, uma cadeia de emissoras de rádio e a agência oficial ABI.ConcorrentesO La Razón destaca que, paralelamente, vários potenciais concorrentes de Evo, como os ex-presidentes Jorge Quiroga (2001-2002), Carlos Mesa (2003-2005) e Eduardo Rodríguez (2005-2006), estão sendo processados pelo MAS."Em todo caso, a base e suporte deste projeto é a Constituinte, onde os governistas têm maioria arrasadora, que deverá aprovar o retorno ao zero e a reeleição", continuou a publicação.Morales, cuja popularidade atual se mantém em 65%, nunca teve, nos seus 14 meses de governo, aprovação inferior a 50% e, inclusive, alcançou 81% em maio de 2006, após anunciar a "nacionalização" petrolífera.No entanto, quando as pesquisas indicavam que o presidente tinha 80% de apoio, o MAS conquistou apenas 50,7% dos votos na Constituinte de julho, três pontos a menos que nas eleições presidenciais de 2005.

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