Evo Morales convoca oposição para o diálogo

O presidente da Bolívia, Evo Morales, chamou os partidos da oposição para o diálogo e à retomada dos trabalhos no Congresso, como forma de superar as divergências sobre o funcionamento da Assembléia Constituinte. Morales fez o apelo ao final de uma semana tensa. O presidente boliviano enfrenta a greve de fome de 100 militantes da União Nacional (UN), de centro; o boicote dos legisladores da aliança Poder Democrático e Social (Podemos), que abandonaram o Congresso, além de ameaças de greve contra seu governo em quatro departamentos (províncias) que fazem oposição. "O diálogo sempre estará aberto. Se quiserem diálogo, os ministros estão prontos para dialogar e buscar soluções", afirmou Morales em entrevista coletiva, no Palácio de Governo. "Quero pedir aos senadores, se forem patriotas, que aprovem de uma vez por todas os projetos de lei pendentes no Senado". Morales se referia aos legisladores que na terça-feira se retiraram do Senado e da Câmara de Deputados em protesto contra a imposição governista das normas de funcionamento da Assembléia Constituinte. O presidente ressaltou seu pedido para que a oposição volte às sessões no Legislativo para ratificar vários convênios internacionais, entre eles os 44 contratos com a Petrobras e outras companhias petrolíferas. "A aprovação e ratificação dos contratos já não é somente para Evo Morales, é para o povo boliviano", ressaltou. Morales defende o critério de maioria absoluta para a aprovação dos "temas de consenso" da Constituinte, e os dois terços para "os assuntos polêmicos", com um plebiscito para os temas sem acordo. Os partidos de oposição exigem que cada artigo da Assembléia seja aprovado por dois terços dos 255 integrantes, como estabelece a atual Constituição.

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