Presidência da Bolívia / AFP
Presidência da Bolívia / AFP

Evo Morales diz que deixou o poder na Bolívia por golpe relacionado a lítio

Em primeira aparição na mídia desde que chegou à Argentina, ex-presidente disse acreditar que crise política começou com projeto de industrialização do recurso

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 01h20

O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta segunda-feira, 17, que foi forçado a renunciar ao poder por um "golpe ao lítio", um dos principais recursos do país, e culpou os Estados Unidos diretamente por provocar uma "guerra suja".

Morales, que chegou na quinta-feira passada na Argentina, onde solicitou refúgio político após ser asilado no México, está "convencido" de que seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), vencerá as próximas eleições na Bolívia, após a Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciar "irregularidades" nas eleições anteriores.

Em sua primeira aparição na mídia desde que chegou à Argentina, o ex-presidente disse em entrevista ao C5N que o que aconteceu em seu país foi um "golpe ao lítio" e acredita que a atual crise política começou com seu projeto de industrialização desse recurso. 

"Eles pediram um concurso público internacional para ter parceiros e aprovaram a China e a Alemanha, e os Estados Unidos ficaram de fora dessa grande industrialização de lítio ... Como os Estados Unidos foram deixados de fora, o problema começou lá", afirmou. "Quando os Estados Unidos mordem, não são liberados", disse o ex-presidente, que considerou que agora, sob o governo interino de Jeanine Áñez, pode haver fraude "real".

Morales chegou à Argentina depois de passar pelo México, onde revelou que estava "triste" e "abalado", mas disse que agora se sente "fortalecido" e liderará neste país a campanha do MAS para as próximas eleições, ainda sem data definida.

Quanto aos possíveis candidatos de seu partido à Presidência, o líder político mencionou Diego Pary, David Choquehuanca, Luis Arce, Adriana Salvatierra e Andrónico Rodríguez, e declarou que eles levarão um "candidato unitário" às urnas. Morales considerou que o Secretário-Geral da OEA, Luis Almagro, é um instrumento dos Estados Unidos e, portanto, solicitou que delegações das Nações Unidas, "países amigos da Europa e América Latina" e até uma missão do Papa Francisco acompanhassem as eleições.

Até segunda-feira, o ex-presidente boliviano não havia concedido entrevistas à mídia argentina e o governo argentino pediu que ele não fizesse declarações políticas, embora ele fosse muito ativo em sua conta no Twitter. No domingo, 10 de novembro, Evo Morales renunciou à Presidência depois que a OEA publicou um relatório sobre "graves irregularidades" nas eleições de outubro, nas quais foi proclamado vencedor pelo quarto mandato consecutivo.

Morales concordou em repetir as eleições, mas seu governo estava desmoronando e a Polícia e as Forças Armadas sugeriram sua renúncia, algo que ele chamou de "golpe de estado". Jeanine Áñez, até então senadora da oposição, ativou em 12 de novembro a linha de sucessão para assumir o poder temporariamente até novas eleições. A violência desde o dia seguinte às eleições fracassadas em outubro deixa pelo menos 35 mortos e 832 feridos, segundo a Defensoria do Povo da Bolívia. /EFE

 

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