Evo Morales espera fechar acordo com oposição nesta quinta

Clima da reunião de reconciliação nacional é de otimismo, mas porta-voz opositor diz que trato pode demorar

Agências internacionais,

25 de setembro de 2008 | 14h10

O presidente da Bolívia, Evo Morales, e seus opositores discutiam nesta quinta-feira, 25, se firmavam ou não um acordo básico que permita avançar o processo de reconciliação nacional. O tom da reunião era de um aparente otimismo. "O presidente espera que hoje já se possa chegar a um acordo", disse o porta-voz presidencial Iván Canelas, em uma entrevista à rádio estatal Patria Nueva.    Veja também: Oposição boliviana pede mudanças na Constituição para acordo Comissão investigará 'massacre em Pando', diz Evo Morales Bolívia pode rachar, mas ninguém se beneficiaria, diz analista Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia  Evo insiste em um acordo global sobre a autonomia regional, reivindicada pelos governadores oposicionistas, em troca do apoio à ratificação em referendo do projeto constitucional promovido pelo governo. Mas o porta-voz dos opositores, o governador de Tarija, Mario Cossío, disse que o acordo pode demorar um pouco mais.   O enviado da Organização dos Estados Americanos (OEA), Dante Caputo, disse esperar "sinais formais" das duas partes. Evo chegou na madrugada desta quinta de Nova York, onde participou da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas e de um encontro com colegas da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).   Na reunião foi decidido que uma comissão da Unasul investigará as mortes ocorridas no departamento (Estado) de Pando. No total, pelo menos 15 pessoas morreram no início do mês, durante o auge dos conflitos na Bolívia entre governo e oposição.   Condição   O principal partido da oposição da Bolívia, o Poder Democrático e Social (Podemos), exigiu na quarta-feira, a modificação nove pontos do projeto de Constituição proposto pelo governo para convocar os referendos necessários para sua ratificação.   A condição do grupo - que tem maioria no Senado - surgiu a poucas horas do reinício do diálogo entre o governo e oposição nesta quinta. "Não é suficiente, como o governo pretende, discutir apenas o capítulo das autonomias. Nós queremos tocar em pelo menos nove pontos essenciais do projeto de constituição do MAS", disse o senador Wálter Guiteras, do Podemos. O MAS (Movimento ao Socialismo) é o partido do presidente Evo. "Se não revisarmos a nova Carta, o diálogo fracassa", declarou.   Farpas   A quarta-feira foi mais um dia de troca de farpas entre governo e oposição. O presidente do Senado, Oscar Ortiz, do Podemos, disse que "não se pode pretender" que se assine um documento aceitando uma "ditadura constitucional" em troca de melhorias no capítulo de autonomias e a devolução da arrecadação petroleira para os Estados.   Este ano, quatro dos nove Departamentos (Estados) deste país de 10 milhões de habitantes votaram pela autonomia política, financeira e administrativa do governo central. A queda de braço entre governo e oposição agravou-se após o referendo do dia 10 de agosto, que ratificou o cargo de Evo e de governadores da oposição.   O presidente recebeu 67% dos votos - mais de 10% do que tinha tido nas urnas, nas eleições de dezembro de 2005. Também no referendo, a oposição acumulou votos que superaram as expectativas.  

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