Evo Morales minimiza rumores, diz que não há possibilidade de golpe e que "democracia é forte"

O presidente da Bolívia, Evo Morales, minimizou nesta quarta-feira os rumores sobre um possível golpe de Estado contra ele, e disse que se existe algum aventureiro que deseja acabar com a democracia, este será castigado pelo povo. Morales disse que a democracia na Bolívia está mais forte do que nunca, com a participação de todos os setores, e caminha como solução para os marginalizados, sem excluir ninguém.O presidente boliviano fez estas afirmações ao prestar homenagem aos que lutaram pela democracia há 24 anos, quando a Bolívia se libertou, após duas décadas, de regimes militares."Estamos aprofundando essa democracia, democracia esta que não é somente escolher ou ser eleito a cada cinco anos, democracia esta que serve para buscar igualdade, para buscar justiça, para que haja eqüidade", disse o presidente boliviano, citado pela agência oficial "ABI".Ao inaugurar um centro oftalmológico em Yacuiba, na fronteira com a Argentina, Morales acrescentou que após 24 anos de democracia, começam algumas mudanças que não são suficientes, que têm que acontecer pouco a pouco e que devem ser voltadas para a recuperação dos recursos naturais para o povo."Neste processo de mudança" - continuou - "só as Forças Armadas e os movimentos sociais podem e devem garantir a verdadeira nacionalização dos recursos naturais, não somente dos hidrocarbonetos".Por sua vez, o porta-voz presidencial, Alex Contreras, descartou que possa ter êxito um golpe de Estado porque o presidente tem o respaldo das Forças Armadas, da Polícia e da maioria dos movimentos sociais.Para o porta-voz, as versões sobre um levante militar "são uma onda de rumores", embora tenha reiterado denúncias anteriores sobre um processo de conspiração "financiado além disso por uma transnacional", que ele não identificou, apoiada por empresários latifundiários.O presidente da Bolívia, Evo Morales, determinou que o exército e a Polícia Nacional ocupassem nesta terça-feira o centro de La Paz, bloqueado por motoristas de ônibus e vans desde segunda-feira. Durante todo o dia, houve conflitos entre os manifestantes, soldados e simpatizantes do Movimento ao Socialismo (MAS), partido da situação. No dia em que o país comemora 24 anos de conquista da democracia, diversas formas de protesto confirmaram a previsão de "uma semana difícil", feita no sábado pelo ministro da presidência, Juan Ramon Quintana.

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