Martin Alipaz/EFE
Martin Alipaz/EFE

Evo Morales pede investigações sobre elos entre Odebrecht e antecessores

Presidente da Bolívia quer que Congresso apure pagamento de propinas pela construtora para concessão de licitações em governos anteriores

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2018 | 01h16

LA PAZ – O presidente da Bolívia Evo Morales pediu ao Congresso nesta segunda-feira, 2, uma investigação sobre os contratos realizados entre a construtora brasileira Odebrecht e ex-autoridades do país. A medida vem em resposta às denuncias da Lava Jato que apontam fraudes na concessão de licitações em favorecimento da Odebrecht por governos anteriores ao de Morales, iniciado em 2005.

 

"Vou a pedir à Assembleia Legislativa Plurinacional que faça uma profunda investigação de ex-autoridades como vem sendo veiculado em alguns veículos de imprensa", garantiu Morales aos jornalistas durante um evento em La Paz.

Segundo Morales, as investigações deverão ser conduzidas por uma “comissão mista, composta por deputados governistas e opositores”. O objetivo é descobrir "se ocorreu extorsão, propina, em licitações para a concessão de obras" nos governos anteriores. "O governo é o mais interessado em que se investiguem esses atos de corrupção.”

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Segundo informe publicado pelo Ministério da Justiça e divulgado pelo jornal boliviano “El Deber”, a Camargo Correa é acusada de pagar US$ 550 mil pela concessão de licitações para uma série de obras na Bolívia, algumas delas aparecem em documentos sobre supostas comissões de um serviço estatal de estradas já extinto. A Odebrecht, junto com a Queiroz Galvão, Andrade Gutiérrez e a OAS formam um conglomerado que atuava no país.

No documento do governo brasileiro publicado pelo “El Deber”, a propina teria sido paga a um ex-ministro e um ex-diretor de transportes. As duas concessões foram entregues à Camargo Correia e à Odebrecht.

Morales ressaltou que o seu governo “não está envolvido em nenhum evento de corrupção” com empresas investigadas na Lava Jato.

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A Odebrecht, junto com outras 15 construtoras brasileiras, protagonizou o maior escândalo de corrupção na história do Brasil ao participar de uma rede que desviou, por meio de licitações fraudulentas e contratos superfaturados, recursos milionários de uma petrolífera estatal.

O caso se expandiu por mais uma dezena de países da América e da África, cujas autoridades investigam o pagamento de propina a políticos por parte da construtora.

A companhia fechou acordos de colaboração com a Justiça em Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Panamá, Guatemala e Equador nos quais, além de pagar multas milionárias, reconheceu ter cometido atos ilícitos e se comprometeu a não repetir os mesmos. //EFE

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