Evo Morales prega o fim do neoliberalismo

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs uma segunda independência para seu país que acabe com a exclusão da população indígena majoritária e ponha fim ao modelo neoliberal, durante seu discurso de posse.Carregando a medalha e a faixa presidenciais, o ex-líder cocaleiro iniciou seu discurso de posse lembrando que 62% dos bolivianos são índios e historicamente "foram marginalizados, humilhados, desprezados, condenados à exclusão". "Jamais nos reconheceram como seres humanos e donos absolutos desta nobre terra", destacou.Ele prometeu viver em igualdade com aqueles que criaram políticas discriminatórias no país.e se comprometeu a governar "não com vingança", porque "o movimento indígena original não é excludente, é inclusivo".Evo Morales disse que sua eleição na deve levar o povo a "chorar pelos 500 anos" de discriminação porque é "época de vitória, de alegria, de festa", referindo-se à colonização espanhola e à elite mestiça que governou o país desde a fundação da República em 1825.Ovacionado com aplausos e com "pututus" (trombetas andinas), Morales garantiu que chegou o momento de restaurar o Tahuantinsuyu do Império Inca e a Pátria Grande sonhada pelo libertador Simón Bolívar.Um dos objetivos que anunciou foi mudar, na democracia, as políticas que concentram "o capital em poucas mãos para que muitos morram de fome".Também anunciou que a Assembléia Constituinte que funcionará a partir de agosto deve servir para refundar a nação e indicou que poderá haver "uma segunda independência" na Bolívia.Morales sustentou seus planos de nacionalizar os recursos naturais, de buscar o perdão da dívida externa e aumentar a cooperação internacional.

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