Evo processará juízes de regiões opositoras

Presidente boliviano diz que autoridades das cortes eleitorais Santa Cruz, Beni e Tarija são criminosas

Afp, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

LA PAZ

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou ontem a abertura de processos penais contra autoridades eleitorais de quatro regiões do país. Segundo Evo, serão processados juízes de Santa Cruz, Beni e Tarija, onde os candidatos governistas foram derrotados nas eleições regionais de domingo, e de Pando, onde os resultados eleitorais ainda estão indefinidos.

"O comportamento das cortes (eleitorais) dos departamentos (províncias) de Pando, Santa Cruz, Beni e Tarija é um crime. Agora, nossa tarefa é defender o voto sadio e honesto. Adotaremos ações penais contra essas autoridades que brincam com a democracia", afirmou Evo.

Segundo projeções de TVs locais, feitas a partir de uma contagem rápida dos votos, o presidente Evo e seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), venceram as eleições para os governos de pelo menos cinco dos nove departamentos bolivianos, mas perderam em sete das dez principais cidades do país, entre elas La Paz.

As derrotas nos departamentos de Santa Cruz, Tarija e Beni, que concentram a maior parte do PIB e das reservas de gás do país, já eram previstas, apesar de Evo ter se empenhado pessoalmente na campanha.

Em Pando, a situação ainda estava indefinida ontem. A contagem dos votos na região foi interrompida na segunda-feira à noite, depois que o candidato pró-Evo, José Luis Flores - que teria conseguido 49% dos votos -, acusou de fraude três delegados de uma mesa eleitoral da cidade de Cobija.

Em Beni, a candidata ao governo departamental, Jessica Jordán, ex-miss Bolívia, apoiada por Evo, denunciou o desaparecimento de votos em algumas urnas. A oposição também diz que o governo teria cometido uma série de irregularidades para tentar vencer a eleição, como deslocar militantes da região do Chapare - reduto de Evo - para Pando, cujo governo até agora era controlado por opositores.

Acordo com Brasil. Ainda ontem, Evo reuniu-se com o assessor para assuntos internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia. Ambos discutiram a construção de uma ferrovia que ligaria o Brasil com o Chile, facilitando as exportações para a Ásia.

Para entender

Até domingo, Evo Morales havia vencido facilmente as cinco últimas eleições na Bolívia. Reelegeu-se com 64% dos votos, obteve a maioria no Congresso e indicou boa parte dos juízes nacionais. Ele via na votação de domingo uma chance de ampliar seu poder também nas instâncias locais, quebrando a resistência da oposição regional - entrincheirada principalmente nas ricas regiões de Santa Cruz e Tarija. Mas os resultados das urnas foram ambíguos. Evo ganhou duas regiões dos opositores, mas perdeu em sete das dez maiores cidades. Agora, as denúncias de fraude aumentam a tensão no país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.