Daniel Walker/AFP
Daniel Walker/AFP

Evo promete 2º turno na Bolívia se for comprovada fraude em contagem oficial

Observadores e governos estrangeiros lançaram dúvidas sobre a legitimidade de sua vitória que pode lhe dar o quarto mandato consecutivo

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2019 | 17h52

LA PAZ  - O presidente da Bolívia, Evo Morales, prometeu, neste sábado, 26, realizar um segundo turno se uma revisão da contagem de votos que lhe deu a vitória em primeiro turno encontrar evidências de fraude, em uma tentativa de acalmar o sexto dia de protestos e críticas internacionais sobre sua reeleição para um quarto mandato consecutivo. 

Evo marchou contra a oposição em um bastião regional de apoio ao seu governo de esquerda. Ele disse que seus adversários estavam “com inveja” dos seus feitos após 14 anos no poder e os acusou, sem apresentar provas, de tentarem provocar distúrbios para derrubá-lo ilegalmente. 

Mas ele pareceu preocupado com sua reputação internacional, depois que observadores e governos estrangeiros lançaram dúvidas sobre a legitimidade de sua vitória.

Até agora, apenas Venezuela, Cuba e México enviaram parabéns, enquanto a União Europeia e alguns dos maiores países da região —Brasil, Argentina e Colômbia— pressionaram para que realizasse um segundo turno com o principal rival, Carlos Mesa, para restaurar a credibilidade da eleição de domingo, a mais acirrada desde 2002. 

“Convido o ministro das Relações Exteriores da Argentina, do Brasil, da Colômbia e dos Estados Unidos a virem aqui — vamos auditar voto a voto”, disse Evo, em um discurso diante de oficiais militares na região produtora de coca de Cochabamba.

“Eu acompanharei (a audição). Se houver fraude, no dia seguinte convocarei um segundo turno”, acrescentou Evo, em comentários veiculados na emissora de televisão estatal. 

Manifestantes bloquearam ruas em partes da capital La Paz, neste sábado, pelo segundo dia consecutivo. Uma greve contra seu governo continuou em Santa Cruz, centro agricultor e industrial onde a oposição a ele tem sido forte há muito tempo. 

Evo já é o presidente mais longevo da América Latina. Ele concorreu a um quarto mandato este ano, desafiando limites de reeleição e um referendo nacional, depois que uma decisão judicial lhe deu sinal verde. 

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) negou acusações de fraude feitas pela oposição. As acusações foram alimentadas quando o órgão abruptamente interrompeu a publicação de uma rápida contagem de votos que mostrava Evo em um segundo turno contra Mesa. 

Quando a contagem foi retomada, confirmou a previsão de Evo, feita no domingo, de que ele teria os 10 pontos necessários de vantagem sobre Mesa para evitar o segundo turno, em uma eleição com nove candidatos.

A contagem final do TSE mostrou Morales com 47,08% dos votos e Mesa com 36,51%. O TSE e Evo disseram que é bem-vinda uma audição do grupo regional Organização dos Estados Americanos (OEA), mas não especificaram se aceitariam a condição de que as conclusões fossem legalmente vinculantes. 

O Brasil, maior parceiro comercial da Bolívia, foi mais longe na pressão contra EVO, alertando que não reconheceria os resultados até que a OEA finalizasse sua audição da contagem de votos./REUTERS

 

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