Evo rejeita governo popular paralelo criado em Cochabamba

O governo da Bolívia repudiou nesta quarta-feira a formação de uma "administração popular paralela" instituída no departamento (estado) de Cochabamba por seguidores de Evo Morales. A criação da administração paralela, anunciada na noite de terça-feira após uma assembléia que reuniu milhares de pessoas no centro de Cochabamba, visa fazer pressão para que Reyes, de oposição, renuncie. O governador está sob a mira de grupos próximos ao presidente por ter sugerido a realização de um novo referendo para conceder maior autonomia ao departamento. Embora em tese seja o principal beneficiado pela pressão, o governo boliviano pediu nesta quarta-feira que Reyes retorne para Cochabamba para dialogar sobre uma solução negociada para o conflito. Dizendo-se ameaçado pelo conflito, o governador está "refugiado" no departamento de Santa Cruz, que também é governado por um oposicionista e reivindica maior autonomia.Pronunciando-se nessa quarta-feira, o porta-voz presidencial Alex Contreras disse que o Executivo lamenta que "grupos radicais" tenham chegado a esse extremo após a assembléia popular de terça-feira, que reuniu cerca de 30 mil pessoas."Não reconhecemos nenhum outro governador que não seja Reyes Villa, e o instamos a reiniciar o diálogo para encontrar uma solução", disse Contreras antes de uma reunião com o presidente Evo e com o Conselho de Ministros.A decisão de formar um "Comitê Revolucionário Departamental" foi anunciada depois que a assembléia popular de terça-feira reprovou uma saída legal ao conflito proposta pela Central de Trabalhadora Departamental e produtores da folha de coca(cultivo parcialmente legalizado na Bolívia)Os sindicatos e organizações radicais que formaram a administração paralela, informaram que tentaram ocupar o edifício do governo, que está protegido pela polícia e o Exército.O porta-voz presidencial disse que los cocaleiros irão abandonar nesta quarta-feira a cidade de Cochabamba e voltarão para suas comunidades para facilitar o retorno da tranqüilidade na região. Mais tarde, entretanto, um porta-voz do movimento disse que os manifestantes permanecerão mobilizados. Em uma mensagem transmitida por canais de televisão no noite de terça-feira, Reyes disse que não renunciará pressionado pela violência, mas assinalou que delegou seu cargo temporariamente ao Secretário General de Governo, Johnny Ferrel, "até que a comunidade internacional reconheça esta tentativa de golpe contr a democracia".

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