AP Photo/Juan Karita
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Evo retira obrigação de mídia de divulgar leis na Bolívia

Donos dos meios de comunicação na Bolívia reclamavam que propaganda gratuita reduzia rendimentos

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2019 | 21h14

LA PAZ - O presidente boliviano, Evo Morales, promulgou nesta segunda-feira, 8, uma norma que elimina a obrigação aos meios de comunicação de publicar gratuitamente propaganda eleitoral e algumas leis, em um ato que reuniu proprietários de canais de TV, rádios e jornais do país.

A Associação Nacional de Imprensa (ANP), que agrupa donos de diários do país, e a Associação Boliviana de Radiodifusoras (Asbora) se queixavam das 13 leis que o governo de Evo aprovou em 2006 para obrigar a mídia a ceder espaço para a divulgação de medidas aprovadas contra o racismo, o consumo de bebidas alcoólicas, o tráfico de pessoas, assim como a propaganda eleitoral.

A medida, aprovada antes no Congresso, foi adotada hoje em consenso com os donos dos veículos de comunicação. Eles reclamavam que a divulgação de publicidade gratuita reduzia em 30% seus rendimentos.

Evo, que mantém uma relação tensa com um setor da imprensa boliviana, disse que o início de seu primeiro governo, em 2006, suportou “muita agressão” e “humilhação” da maioria dos meios de comunicação. Mas ele assegurou que a situação “já não é como antes”, mas se concentra em “algumas regiões”.

Evo buscará um quarto mandato consecutivo nas eleições de outubro, apesar das denúncias de ilegalidade feitas pela oposição.

“A comunicação deve ser uma formação, a comunicação deve ser uma educação para que todos possam defender seus direitos”, disse Evo.

"Desejamos que os senhores nos corrijam com a verdade”, mas os donos da mídia “devem ser responsáveis para que se diga a verdade”, advertiu. “Há algumas informações que são exageradas.”

Evo, que surgiu na política como líder sindical dos indígenas produtores da folha de coca, disse também que tentou estudar comunicação social da universidade, mas não conseguiu.

Apesar de o governo controlar a Televisão Boliviana, a Rádio Pátria Nova, a Agência Boliviana de Informação e o jornal Câmbio, a maioria dos meios de comunicação privados é controlada por um grupo restrito que, desde 2006, tem sido crítico a ele. / AFP

 

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