Evo se reúne com ministros para definir como adotar nova Constituição

O presidente boliviano, Evo Morales, começou ontem a elaborar com seu gabinete um plano para implementar a polêmica Constituição aprovada em referendo no domingo. Uma reunião ministerial foi realizada na localidade de Huajchilla, nas imediações de La Paz, e estava prevista para terminar no fim da tarde. Em todo o país, camponeses aliados de Evo ameaçaram fazer grandes protestos se a oposição não reconhecer a nova Carta. O texto - aprovado com cerca de 60% dos votos, segundo dados preliminares - aumenta o controle do Estado sobre a economia, permite a reeleição do presidente e amplia os direitos (para alguns, privilégios) dos indígenas da Bolívia. Para que todas as suas disposições entrem em vigor, porém, o Congresso boliviano precisará aprovar cem leis complementares. Como a oposição domina o Senado, isso não será tão simples. Outro fator que deve dificultar a implementação da nova Carta é que a oposição regional - líderes políticos e cívicos das regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija - ameaça não executar as medidas determinadas pela nova Carta. Na segunda-feira, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, e o de Tarija, Mario Cossío, pediram um "pacto social" para modificar seu texto, mas a proposta foi rejeitada por Evo. Segundo analistas, os efeitos da crise global sobre a economia boliviana também devem ser um obstáculo para os planos de Evo. "Podem faltar recursos para as nacionalizações", disse ao Estado Fernando Molina, diretor do semanário político e econômico Pulso. "Hoje o governo já não pode tirar da gaveta um projeto para nacionalizar o setor elétrico por falta de dinheiro. Isso vale também para outros setores." O economista boliviano Alejandro Mercado alerta para a possibilidades de a situação da economia boliviana ser prejudicada por algumas medidas previstas na nova Constituição. Ele menciona a nova lei que proíbe empresas estrangeiras de remeterem lucros para seus países de origem. "Só um louco continuará a investir aqui", disse Mercado. COM EFE

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