Evo sugere que Senado seja ´removido´ da nova Constituição

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta sexta-feira, 24, que a nova Constituição do país deveria se livrar do Senado, controlado pela oposição, onde legisladores conservadores estão boicotando o Plenário como uma maneira de bloquear a agenda reformista da Casa. Senadores do partido de oposição, o Podemos, realizaram uma passeata esta semana para protestar contras as políticas de Evo, incluindo um abrangente projeto de lei de reforma agrária que daria ao governo o poder de tomar terras improdutivas e redistribuí-las aos mais pobres. Evo disse, em uma coletiva de imprensa, que a assembléia reunida para traçar um novo plano de governo deveria fechar o Senado e deixar as casas mais baixas do Congresso como uma simples e única Casa legisladora. "Aqueles que não defendem os pobres ou a maioria estão, geralmente, no Senado", disse Evo. "Por que precisamos de um Senado, onde há ainda uma concentração de neoliberais que boicotarão reformas? Este é o melhor argumento para que a nova Bolívia que procuramos tenha uma única Casa". A Assembléia Constituinte da Bolívia tem até agosto do ano que vem para completar um plano da nova Constituição, que será, então, levado a referendo para a população. O Movimento para o Socialismo (MAS), partido de Evo, sustenta uma sutil maioria dos 255 assentos da assembléia e recentemente votou, em benefício próprio, emenda que poder à legenda sobre os procedimentos do órgão, um movimento que ajudou ao boicote no Senado. Entretanto, o documento final deve ainda ser aprovado por dois terços da assembléia, dando ao Podemos e outros partidos de oposição uma chance de bloquear as reformas de Evo. O vice-presidente Alvaro Garcia Linera encontrou-se esta semana com senadores da oposição para negociar o fim do impasse, mas as conversas ainda não produziram compromissos de ambos os lados. Evo, ex-líder cocaleiro, foi eleito em dezembro como o primeiro presidente indígena da Bolívia e tem nacionalizado os recursos energéticos do país como parte de seu esforço para redistribuir as riquezas do país mais pobre da América do Sul.

Agencia Estado,

24 Novembro 2006 | 18h36

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