Evo toma posse e Dilma tenta normalizar relações com Bolívia

Com visita a La Paz, presidente busca reduzir a tensão causada pelafuga de senadorboliviano para o Brasil

Rafael Moraes Moura, enviado especial a La Paz e Andeza Matais, de Brasília, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2015 | 02h07

Em sua primeira viagem internacional do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff compareceu ontem à posse do presidente da Bolívia, Evo Morales, para seu terceiro mandato marcando uma tentativa de normalizar as relações bilaterais entre Brasília e La Paz, estremecidas após o episódio da fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina para o Brasil.

Dilma chegou à Bolívia sem ainda conseguir aprovar no Senado a indicação do novo embaixador brasileiro no país e sem chegar a uma conclusão sobre o processo aberto contra o diplomata brasileiro Eduardo Saboia, envolvido na fuga.

Dentro do Palácio do Planalto a avaliação é de que a passagem por La Paz promoveu um relançamento da relação bilateral. "É uma viagem para abrir portas", comentou ao Estado uma fonte diplomática.

Segundo um outro integrante do governo, mais que "uma cortesia diplomática", a passagem da presidente pela Bolívia representou uma busca por "normalizar as relações bilaterais", deixando de lado qualquer ruído.

Essa foi a primeira visita de Dilma à Bolívia em quatro anos e um mês de governo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez quatro viagens ao país no primeiro mandato e outras quatro no segundo.

Entre os principais assuntos na relação bilateral está a cooperação energética - o gás natural boliviano representou 98% das importações brasileiras de produtos bolivianos em 2014.

A presidente foi recebida no aeroporto pelo prefeito de El Alto, Edgar Hermogenes, e ao contrário do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não fez nenhuma declaração durante sua visita.

Dilma ficou ao lado de Evo na foto oficial tirada no Palácio de Governo boliviano. Os dois trocaram rápidas palavras ao se cumprimentarem.

Narcotráfico. Durante o discurso de posse na Assembleia Legislativa, Evo criticou a atuação dos Estados Unidos no combate ao tráfico de drogas na região. "A nacionalização da luta contra o narcotráfico, em coordenação direta com os países vizinhos, é importante. Estamos melhor na luta contra o narcotráfico sem o DEA (departamento antidrogas do governo americano)", comentou.

A fronteira entre Brasil e Bolívia é um outro ponto delicado na relação bilateral, devido à forte atuação do contrabando e do narcotráfico na região.

Em 2008, Evo expulsou agentes do DEA que atuavam na Bolívia sob o argumento de que eles estariam, na verdade, ali para auxiliar os opositores do governo. O presidente já havia dito que o DEA é um instrumento que a Casa Branca utiliza para chantagear países que não "cooperam com o imperialismo e o capitalismo".

"Me perdoem a expressão, mas (na Bolívia) não mandam os gringos, mandam os índios", afirmou Evo. O presidente também brincou durante o discurso, ao dizer que as mulheres são honestas e trabalhadores e mandariam na Bolívia "se não fossem tão teimosas".

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