Evo usará Exército para erradicar coca em região de conflito

O presidente da Bolívia, Evo Morales, recorrerá ao Exército a partir da próxima semana para erradicar o cultivo da coca em uma região de conflito no país, apesar de admitir que seja possível alcançar um acordo com os produtores, confirmou nesta terça-feira, 3, o vice-ministério do setor.O titular da direção de Desenvolvimento Integral da Região de Produtores de Coca, Guido Agnota, disse à Efe que no domingo serão transferidos para a região de Caranavi, no departamento andino de La Paz, 100 soldados e oficiais para iniciarem no dia seguinte as operações de erradicação.Segundo Agnota, que também é líder dos camponeses nesta região, nenhum governo anterior conseguiu destruir as produções na localidade por causa da resistência dos cocaleiros.Ele acrescentou que, no entanto, os produtores eliminaram voluntariamente 49 hectares de cultivos durante os últimos quatro meses de 2006 e outros 32 hectares entre fevereiro e março de 2007.O representante do governo para a região também disse que não há informações exatas de quantos hectares excedentes de coca existem em Caranavi.A superfície de cultivo permitida por família na região será de 1.600 metros quadrados, medida conhecida como um "cato (unidade tradicional de 40m x 40m) de coca", que foi recalculada por alguns dos produtores da região."Foi buscada uma vontade social dos companheiros produtores para, primeiro, tramitar a descriminalização da folha de coca e depois para apoiar o processo de mudança", liderado por Evo Morales, afirmou.A campanha do presidente Morales para descriminalizar o cultivo da folha até agora não deu resultados na comunidade internacional.Simultaneamente, o líder boliviano impulsiona o aumento dos hectares legais de coca no país de 12.000 para 20.000, para dar às terras usos lícitos para a produção da folha, apesar de o governo dos Estados Unidos alertar que com mais plantações será produzida mais cocaína.Estimativas das Nações Unidas (ONU), citadas pelo vice-ministro da Defesa Social, Felipe Cáceres, indicam que na região de Yungas, à qual pertence Caranavi, existem 18.000 hectares de coca, enquanto a lei só permite as 12.000 citadas anteriormente.O ministro das Relações Exteriores venezuelano, David Choquehuanca, afirmou nesta tarde, que, segundo cálculos oficiais, em todo o país há 25.000 hectares de coca, o dobro do estipulado pela lei boliviana.

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