Evolvimento alemão na guerra do Iraque pode ter sido muito maior

Na Alemanha, os jornais discutem nesta terça-feira alegações do jornal americano New York Times de que espiões alemães entregaram aos Estados Unidos planos de Saddam Hussein para a defesa de Bagdá na iminência da invasão do Iraque.Apesar de desmentidos do governo, vários jornais alemães manifestaram choque com a revelação de que a Alemanha pode ter tido um envolvimento no Iraque maior do que se acreditava antes.Não é tanto o comportamento do serviço de inteligência que incomoda o Berliner Zeitung, porque o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder "supostamente agiu no interesse da Alemanha quando apoiou a guerra dos Estados Unidos contra o Iraque". A crítica é em relação à imagem projetada pelo líder alemão.Schroeder "se deixou ser apresentado como um chanceler pacifista em todas as grandes declarações do governo", e propagava o "mito de uma estratégia anti-guerra cuidadosamente preparada, claramente calculada e com fundamentos morais".O jornal espera a abertura de um inquérito parlamentar sobre o assunto. Já o Sueddeutsche Zeitung diz que a notícia do New York Times abriu um debate acalorado sobre a qualidade e a significação histórica da oposição da Alemanha à "inútil e perigosa" guerra no Iraque. Nada pode alterar o fato de que, ao contrário da Grã-Bretanha, de Tony Blair ou da Itália, de Silvio Berlusconi, Schroeder não enviou soldados alemães para o Iraque, lembra o jornal, que ressalta, contudo, que a "cooperação entre os serviços secretos da Alemanha e dos Estados Unidos não foi tão insignificante quanto o governo tenta dizer agora".

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