Ex-adversários do IRA vão lutar nas ruas de Bagdá

Guerreiros das ruas, homens experimentados na luta urbana contra os terroristas da Irlanda e nos teatros de operações da Bósnia, do Kosovo e de Mogadíscio: as primeiras tropas da coalizão a entrar em Bagdá serão os veteranos britânicos do combate ao IRA, combinados com a infantaria Ranger, de Fort Benning.Os dois grupos estão recebendo informações de inteligência da 1ª Legião de Operações Especiais do Exército da Espanha, militares peritos no combate aos rebeldes bascos do ETA. A cooperação, "sem envolvimento de tropas", foi anunciada em Madri pelo Ministro da Defesa, Federico Tillo.O contingente britânico diretamente envolvido é formado por quatro batalhões históricos: o 1º de Guardas Irlandeses; o 1º Black Watch; o 1º Regimento Real de Fuzileiros; e o 1º da Infantaria Ligeira. O apoio avançado virá de três regimentos de reconhecimento avançado.Os americanos são os Ranger da 3ª Divisão de Infantaria e da 75ª Infantaria do Exército, com apoio da Companhia BCSAR de Busca e Resgate em Combate.Todos estarão sob a denominação da unidade líder, ainda não revelada pelo Comando Central em Doha, no Catar.As maiores dificuldades para as forças anglo-americanas é a entrada na capital do Iraque. Bagdá é uma cidade de 1.300 anos, onde a planta urbana reflete essa condição.Há um bolsão histórico onde ficam as lojas e bancas do bazar, com vielas de 4 metros.Existe o distrito estrangeiro, herdado do período de dominação inglesa, com casas e arruamento típicos da Europa na primeira metade do século 20.E há o complexo viário de acesso ao aeroporto e aos distritos industriais, com avenidas largas e auto-estradas.Os ingleses, curtidos na guerrilha contra o IRA, na Irlanda, dispõem de blindados pequenos, leves e ágeis. Armados com um canhão rápido de 20 mm, metralhadora e lança-granadas, cada um deles pode levar até 7 soldados equipados.Os Rangers deslocam-se em grupos maiores, a bordo de helicópteros Black Hawk ou, em terra, em veículos semiblindados Hummvee e blindados leves Bradley, também dotados de um canhão rápido de 20mm.Essas forças serão apoiadas pelos canhões de 120 mm dos tanques pesados M1A-2 Abrams e pelas armas de outros carros de combate.No entanto, a ação desse material estará prejudicada pelas limitações de espaço para as manobras desses gigantes de aço de 10 metros de comprimento; 54 toneladas de peso e 3,5 metros de altura.É impressionante, mas não é definitivo. Os soldados iraquianos têm a vantagem de conhecer o terreno, os prédios e todas as armadilhas naturais da cidade.A lógica indica que vão agir com velocidade, utilizando artifícios que os exércitos americanos conhecem bem desde o cerco de Hué, no Vietnã: armas leves, emboscadas, sabotagem e atentados. O atual secretário de Estado, Colin Powell, o general que comandou a Guerra do Golfo anterior, costuma lembrar que a maior perplexidade dos oficiais americanos no Sudeste Asiático, na década de 70, era constatar que os mesmos vietnamitas que trabalhavam para eles durante o dia, à noite, nas ruas, colocavam bombas diante de seus carros. Veja o especial :

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