Yana Paskova / Getty Images / AFP
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Campanha de Trump recebeu proposta de 'sinergia' com a Rússia, revela procurador

O advogado Michael Cohen manteve contato com "pessoa de confiança" do governo russo em novembro de 2015 que lhe propôs um encontro entre Trump e Putin ; procuradores pedem sua condenação por pagar pelo silêncio de atriz pornô e evasão de divisas

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 23h12

NOVA YORK  -  O procurador especial Robert Mueller revelou nesta sexta-feira que em novembro de 2015 uma "pessoa de confiança" do governo russo ofereceu a  Michael Cohen, ex-advogado pessoal do presidente americano, Donald Trump,  uma "sinergia política" na campanha presidencial e "uma sinergia a nível governamental".

Cohen disse aos investigadores que a pessoa, cuja identidade não foi revelada, repetidamente propôs um encontro entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, alegando que tal encontro poderia ter um "impacto fenomenal, não apenas na política, mas também na questão de negócios", revelaram documentos do procurador especial.

No entanto, Cohen não levou a proposta em consideração, pois já estava trabalhando em um projeto de Trump em Moscou por meio de outra pessoa que ele acreditava ter conexões com o governo russo, indicam os documentos.

Ainda nesta sexta-feira, procuradores federais em Manhattan pediram a um juiz que condene Cohen a uma pena de entre 51 e 63 meses de prisão por ter pago uma estrela de filmes pornôs por silêncio em nome de Trump e por evasão de divisas. 

Cohen, que está cooperando com a investigação de Mueller sobre a possível colaboração entre a Rússia e a campanha da eleição de 2016 de Trump, se declarou culpado das acusações em agosto. 

Cohen reconheceu que Trump lhe pediu que pagasse duas mulheres que asseguravam que tinha mantido relações com o empresário para silenciá-las e evitar que seu eventual testemunho pudesse influenciar negativamente nas suas aspirações a chegar à Casa Branca.

A previsão é que no próximo dia 12 de dezembro o juiz William H. Pauley III dite a sentença sobre o caso.

Cohen se declarou culpado também na semana passada por uma acusação separada feita pelo gabinete de Mueller de que ele teria mentido ao Congresso sobre discussões relacionadas à construção de um arranha-céus das organizações Trump em Moscou. 

Em um pedido separado na sexta-feira, o gabinete de Mueller disse que Cohen deveria cumprir qualquer condenação imposta por esse crime concomitantemente com a sentença imposta pelas acusações de Nova York, dizendo que ele havia “tomado ações significativas para ajudar a investigação do procurador especial”.

Os procuradores de Nova York disseram em documento que Cohen deveria receber créditos por sua colaboração com Mueller, mas apontaram que ele não havia feito um acordo de cooperação com a procuradoria nova-iorquina. Eles disseram que a condenação deveria refletir uma “modesta” redução dos quatro a cinco anos que as indicações federais sugeriam. 

Cohen deve ser sentenciado na próxima quarta-feira pelo juiz distrital William Pauley em Manhattan por todas as acusações às quais ele se declarou culpado. Seus advogados pediram que ele não recebesse tempo na prisão, dizendo que ele já havia cooperado extensivamente com Mueller e com os procuradores de Nova York, tomando responsabilidade por suas ações. 

Trump, que chama a investigação de Mueller de uma “caça às bruxas” e negou repetidas vezes qualquer conduta errônea, disse no início da semana que Cohen havia mentido sobre os acordos das empresas de Trump na Rússia para reduzir seu tempo de prisão. / REUTERS e W.POST

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