REUTERS/Carlo Allegri
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Ex-advogado de Trump não quer perdão presidencial, diz representante

Em série de entrevistas para emissoras dos EUA, Lanny Davis diz que Michael Cohen não aceitaria oferta de clemência do presidente americano e sugere que seu cliente pode aceitar depor ao procurador especial, Robert Mueller, e ao Congresso

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 14h28

WASHINGTON - Michael Cohen, ex-advogado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não aceitaria um perdão presidencial, disse seu defensor, Lanny Davis, nesta quarta-feira, 22, um dia depois de Cohen se declarar culpado de oito acusações criminais e dizer ter agido sob orientação de Trump.

Em uma série de entrevistas para emissoras americanas, Davis disse que o ex-advogado de longa data de Trump não quer ter nenhuma ligação com o que vê como um abuso do poder de clemência por Trump.

"Sei que Cohen nunca aceitaria o perdão de um homem que ele considera ser uma pessoa corrupta e perigosa ocupando o Salão Oval", disse o advogado. "Ele me autorizou expressamente a dizer que sob nenhuma circunstância aceitaria o perdão de Trump."

Em várias das entrevistas, Davis - um democrata que foi conselheiro especial do ex-presidente Bill Clinton e apoiou Hillary Clinton em 2016 - destacou que a desilusão de Cohen com Trump cresceu depois que ele viu a relação amistosa do presidente americano com o presidente russo, Vladimir Putin, no encontro dos dois em julho, na Finlândia.

"Ele certamente passou a considerar Donald Trump inadequado para ocupar o cargo de presidente depois de Helsinque", disse Davis no programa "Today" da NBC. "Ele se preocupa com o futuro do nosso país nas mãos de alguém alinhado a Putin"

O advogado também comentou sobre os supostos pagamentos a mulheres que Cohen diz ter feito para proteger a campanha presidencial de Trump, em 2016. "Não há dúvida de que Trump cometeu um crime", afirmou Davis ao "Morning Joe.", da ABC.

"Donald Trump é culpado de um crime. O presidente dos Estados Unidos ser culpado de um crime é algo que vai muito além das infrações que normalmente são consideradas passíveis de impeachment", sugeriu o advogado à NPR.

Depoimento sobre casos

Pouco depois, Davis afirmou à CNN que Cohen provavelmente aceitaria depor ao Congresso americano mesmo sem ter garantia de imunidade, apesar de ainda não ter discutido essa possibilidade com seu cliente. Na terça-feira, líderes da Comissão de Inteligência do Senado mostraram interesse em ouvir o ex-advogado de Trump.

Davis disse acreditar que Cohen tem informações que seriam de interesse do procurador especial, Robert Mueller, e na entrevista que concedeu à MSNBC insinuou estarem diretamente ligadas às tentativas russas de interferir na votação de 2016.

Já ao programa "The Rachel Maddow Show", também da MSNBC, o advogado sugeriu que seu cliente "tem conhecimento sobre o crime de invasão dos computadores (da campanha de Hillary, em 2016) e sobre se Trump sabia ou não na época do ocorrido".

Davis também discutiu essa questão com o jornal The Washington Post. "Sei que todos estão interessados na mesma pergunta: o que Cohen sabe e o quanto isso pode ser prejudicial para Trump".

Durante a rodada de entrevistas, o advogado admitiu que estava escolhendo sua palavras cuidadosamente ao tratar destas questões.

"Eu disse que é minha observação que o Sr. Cohen tem conhecimento de coisas que seriam de interesse para o promotor especial sobre se Donald Trump sabia da invasão dos e-mails, crime que motivou o indiciamento dos 12 russos", disse Davis na CNN.

"Veremos se ele é capaz de falar sobre (esta questão) com base no que ele sabe do assunto quando e se ele discutir isso com o procurador especial." / WASHINGTON POST e REUTERS

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