Andres Kudacki / The New York Times; Shawn Thew / EFE; Mandel Ngan / AFP
Andres Kudacki / The New York Times; Shawn Thew / EFE; Mandel Ngan / AFP

Ex-advogado de Trump quer ajudar a provar elo de presidente com Rússia

Segundo advogado de Michael Cohen, ele tem informações sobre o conhecimento de Trump a respeito do ataque hacker aos democratas e "ficaria mais do que feliz em falar com os investigadores sobre o caso"

O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2018 | 19h48

WASHINGTON - Michael Cohen, de 51 anos, ex-advogado do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 22, que está disposto a colaborar com a investigação sobre o conluio entre a campanha do republicano com a Rússia para vencer as eleições de 2016, e têm informações sobre a ligação. Com dois assessores sofrendo derrotas judiciais, Trump está cada vez mais pressionado por um possível  impeachment, apesar de o tema ainda ser rejeitado por republicanos e até democratas.

Na quarta-feira, 22, o advogado de Cohen, Lanny Davis, afirmou que ele estava disposto a passar qualquer informação que complique o ex-chefe, em uma espécie de delação premiada sem prêmio estabelecido. “Ele ficaria mais do que feliz em falar com os investigadores sobre o caso”, disse Davis. 

Segundo Davis, Cohen tem informações sobre o conhecimento de Trump a respeito do ataque hacker que roubou informações de computadores do Partido Democrata para prejudicar sua adversária, Hillary Clinton. Em julho, Cohen afirmou que Trump soube com antecedência de uma reunião realizada durante a campanha entre seus assessores próximos e uma advogada russa, que supostamente tinha informações comprometedoras sobre Hillary Clinton obtidas pelo Kremlin.

Cohen confessa

Na terça-feira, Cohen se declarou culpado por violar as leis de financiamento durante a eleição presidencial de 2016. Ele admitiu ter feito pagamentos ilegais à atriz pornô Stephanie Clifford e à ex-modelo da Playboy Karen McDougal para que elas não revelassem seus casos extraconjugais com o então candidato.

Na quarta-feira, 22, Trump atacou com virulência, por meio do Twitter, Cohen e seus advogados. “Se alguém estiver procurando um bom advogado, sugiro fortemente que não mantenha os serviços de Michael Cohen”, escreveu Trump. “Cohen foi covarde e cedeu à pressão dos investigadores”, disse o presidente, acusando o ex-advogado de ter inventado fatos para obter um acordo judicial. Ele também afirmou que as violações de financiamento de campanha confessadas “não são um crime”. 

Impeachment

Por enquanto, os principais líderes do Partido Republicano estão fechados com Trump e o apoiam publicamente. E até mesmo alguns democratas têm demonstrado hesitação em defender um impeachment. 

“Não sei o que virá dessa história de violação de financiamento de campanha. O que mais prejudicará o presidente é se, de fato, sua campanha tiver se aliado a um governo estrangeiro como a Rússia. Qualquer coisa menor do que isso vai cair na discussão partidária”, disse na quarta-feira, 22, o senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul. 

O senador John Cornyn, do Texas, o segundo na hierarquia republicana no Senado, repetidamente evitou as perguntas dos repórteres sobre as implicações das acusações de Cohen. “Eu não tenho ideia sobre quais fatos cercam sua confissão, além do fato de que nada disso tem a ver com a investigação da Rússia”, disse Cornyn. 

Já os democratas tentam evitar o assunto para não atrapalhar as eleições de meio de mandato, para eleger senadores e deputados, em novembro.  “Eu não quero ver uma distração de dois anos”, disse Susan Wild, candidata democrata a uma vaga na Câmara dos Deputados pela Filadélfia. “Eu acho que, honestamente, os procedimentos de impeachment obviamente atrapalhariam a realização de outras coisas no Congresso.”

“Vocês estão vivendo todos os dias em Washington, mas nós não estamos”, explicou ao Washington Post Ann Kirkpatrick, a candidata democrata a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Estado do Arizona. “Não estou ouvindo de pessoas comuns sobre esses incidentes recentes.” / NYT e W.POST

 

 

 

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