AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
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Ex-advogado diz que Trump autorizou encontro com russa em 2016; presidente nega

Segundo CNN e NBC, fontes ligadas a Michael Cohen dizem que o advogado estava presente quando o então candidato republicano foi informado da oferta de reunião com Natalia Veselnitskaya, que dizia ter dados comprometedores de Hillary Clinton, e deu aval para contato

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 03h57
Atualizado 27 Julho 2018 | 16h05

WASHINGTON - Michael Cohen, ex-advogado pessoal de Donald Trump, afirmou que em 2016 o então candidato à Casa Branca autorizou uma reunião com a advogada russa Natalia Veselnitskaya, que prometia entregar informações comprometedoras de Hillary Clinton, segundo as redes de televisão CNN e NBC.

As duas emissoras afirmaram nesta sexta-feira, 27, que Cohen estava presente quando Trump foi informado da oferta para o encontro com a advogada russa e deu seu aval à reunião. Fontes ouvidas pela CNN afirmam, no entanto, que o advogado não tem provas para apoiar suas declarações, como algum registro de áudio.

No dia 9 de junho de 2016, Donald Trump Jr e Jared Kushner, genro de Trump, se reuniram na Trump Tower de Nova York com Natalia, que eles pensavam ser uma emissária do governo russo capaz de repassar informações sobre Hillary.

Trump sempre declarou não ter conhecimento desta reunião, cuja existência já foi confirmada e sobre a qual Donald Trump Jr. depôs em uma comissão parlamentar. Nesta sexta, o presidente americano usou sua conta no Twitter para negar mais uma vez ter conhecimento prévio do encontro.

"Eu não sabia de NADA do encontro com meu filho Don Jr", escreveu o presidente no Twitter, acusando seu ex-advogado "de inventar histórias" para escapar de "uma confusão não relacionada".

O encontro na Trump Tower foi arranjado por um produtor musical, Rob Goldstone, que havia entrado em contato com Donald Trump Jr. e dito a ele que Natalia tinha "documentos oficiais e informações comprometedoras de Hillary e seus acordos com a Rússia e que seriam muito úteis para o seu pai".

"Donald Trump Jr. respondeu 'isso me interessa'" e aceitou o convite. Segundo o clã Trump, o encontro foi inútil.

O filho do presidente americano foi ouvido por uma comissão parlamentar em 2017, após a imprensa americana revelar o encontro.

"A mulher, como ela disse publicamente, não era uma representante do governo russo", assinalou o filho de Trump em comunicado, precisando que a advogada finalmente "não tinha qualquer informação a dar".

O promotor especial Robert Mueller investiga se houve conluio entre Moscou e a equipe de Trump durante a campanha presidencial de 2016. Segundo CNN e NBC, que citam fontes anônimas, Cohen estaria disposto a repetir suas declarações diante de Mueller.

"Ele (Cohen) não pode ser crível", respondeu o atual advogado de Trump, Rudy Giulani. "Se eles acreditarem nele, isso vai destruir todo o caso que eles possam ter", disse, se referindo às investigações de Mueller.

Cohen não respondeu os pedidos de entrevista. Seu advogado, Lanny Davis, também não comentou as reportagem da CNN e da NBC, assim como Peter Carr, o porta-voz do procurador Robert Mueller. O Escritório da Procuradoria Federal de Manhattan também não se pronunciou sobre o caso.

O presidente americano nega a existência de qualquer conluio entre sua equipe de campanha e os russos, e qualifica regularmente a investigação de Mueller como "uma caça às bruxas".

Mueller já denunciou 31 pessoas, entre elas 12 agentes de inteligência russos, por hackear computadores do Partido Democrata.

Embate com o presidente

Esta acusação de Cohen surge alguns dias após a revelação de que uma gravação, que remonta dois meses antes da eleição presidencial em novembro de 2016, foi apreendida pelos investigadores do FBI no escritório do advogado.

Na gravação, Trump e o advogado mencionam a possibilidade de comprar o silêncio de uma ex-modelo da Playboy que alega ter sido amante do presidente americano.

Trump reagiu dizendo que um advogado não poderia gravar as conversas com seus clientes.

Cohen parece estar engajado em um embate com o presidente e pronto para colaborar com a justiça, até para comprometer seu ex-chefe.

Depois de permanecer leal ao republicano por meses, apesar de já estar no centro de uma investigação, Michael Cohen agora joga, sozinho, tudo para evitar um julgamento, ou mesmo prisão. / AFP e REUTERS

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