Ex-agente chileno culpa americano por assassinato

Um general da reserva, ex-agente da polícia secreta do ex-ditador Augusto Pinochet, responsabilizou nesta quinta-feira o americano Michael Townley pelo assassinato, em Buenos Aires, do general chileno Carlos Prats, ex-comandante do Exército chileno durante o governo do ex-presidente do Chile Salvador Allende, derrubado por Pinochet. Prats e sua esposa, Sofía Cuthbert, foram assassinados em Buenos Aires, há 29 anos, por agentes da Dina, a polícia repressiva de Pinochet, segundo investigações da Justiça argentina. O assassinato de Prats é investigado pela primeira vez no Chile, motivo pelo qual o juiz especial Alejandro Solís começou a interrogar ontem quatro ex-oficiais da Dina e um civil, responsabilizados pelo assassinato pela juíza argentina María Servini de Cubría.Um dos interrogados nesta quinta-feira, o general da reserva Raúl Iturriaga Neumann, no final do interrogatório reiterou suas acusações contra Townley. "O que interessa é que o senhor (Michael) Townley atuou por si mesmo, não atuou enviado pela Dina", assegurou Iturriaga. Segundo o ex-general, constam do processo sete declarações de Townley, segundo as quais ele começou a colaborar com a Dina em novembro ou dezembro de 1974 - dois ou três meses, portanto, depois da execução do atentado.Segundo apurou a juíza Servini, Townley participou do atentado, mas não atuou sozinho. Iturriaga também defendeu seu irmão Jorge, outro dos acusados por Servini, alegando que "ele nunca foi agente da Dina, nem militar... a desgraça de meu irmão é ser ´meu irmão´ ". Amanhã, o juiz Solís deverá interrogar o ex-chefe da Dina, o general da reserva Manuel Contreras, que já cumpriu uma pena de sete anos de prisão pelo assassinato, em Washington, do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, em 1976.

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