Jalil Reazayee/EFE/EPA
Jalil Reazayee/EFE/EPA

Ex-agente do FBI Robert Levinson morreu sob custódia iraniana, diz família

Homem desapareceu em março de 2007; devido à pandemia do novo coronavírus, homenagem será adiada

Carol Morello, The Washington Post

26 de março de 2020 | 04h35

WASHINGTON - Robert Levinson, um agente aposentado do FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) que desapareceu no Irã há 13 anos, morreu sob custódia iraniana, informou sua família na quarta-feira, 26, em comunicado. A declaração emocionante, publicada no site e na página do Facebook “Help Bob Levinson”, criados pelos parentes, afirma que as informações recebidas das autoridades norte-americanas levaram "nós e eles" a concluir que Robert estava morto.

"Não sabemos quando ou como ele morreu, apenas que foi antes da pandemia da covid-19", escreveram eles. Os Levinsons disseram que, por causa da pandemia global do novo coronavírus, realizarão uma homenagem ao agente quando for seguro. 

Desaparecimento

Levinson desapareceu em circunstâncias misteriosas em março de 2007, enquanto estava na ilha de Kish, um ponto turístico na costa do Irã, durante uma viagem não autorizada da CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) para reunir informações sobre o programa nuclear iraniano. 

O ex-agente foi visto vivo pela última vez em um vídeo de 2010. Ele, que usava um macacão laranja, pedia ajuda enquanto era mantido como refém. No início de 2011, a família recebeu fotos dele segurando cartazes manuscritos com mensagens em inglês, como "Ajudem-me".

Os membros da família acreditavam que ele estava vivo, e as autoridades americanas tentaram por vezes garantir sua libertação ou entender o que aconteceu. O governo Obama falou sobre Levinson de forma consistente em reuniões diretas com os iranianos, enquanto negociava o acordo nuclear de 2015 - do qual o presidente Donald Trump retirou os EUA em 2018

Autoridades do governo Trump mencionaram Levinson em todas as declarações públicas pedindo ao Irã que libertasse americanos presos no país. O Departamento de Estado e o Departamento de Justiça chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 25 milhões por informações sobre ele.

Depois que o governo dos EUA concluiu que ele estava morto, oficiais informaram à família, apresentando-lhes "os fatos para que tirassem suas próprias conclusões", de acordo com um funcionário que não quis se identificar.

O que diz o Irã

O governo iraniano negou ter mantido Levinson preso ou saber sobre seu paradeiro. Mas, em novembro do ano passado, em uma carta às Nações Unidas, o Irã reconheceu pela primeira vez que havia um processo em tribunal aberto sobre Levinson, que alguns interpretaram como uma indicação de que ele ainda poderia estar vivo.

Na quarta-feira, o Irã disse novamente que não tinha nada a ver com o desaparecimento ou detenção de Levinson. "O Irã sempre afirmou que suas autoridades não têm conhecimento do paradeiro de Levinson e que ele não está sob custódia iraniana", disse Alireza Miryousefi, porta-voz da missão do Irã nas Nações Unidas, em comunicado. "Esses fatos não mudaram."

A família de Levinson expressou gratidão a Trump e a vários membros importantes do governo. Grande parte da declaração, no entanto, foi uma expressão de pesar e raiva contra o governo em Teerã. "Se não fosse pelas ações cruéis e sem coração do regime iraniano, Robert Levinson estaria vivo e em casa conosco hoje ", disse a família.

"Como os responsáveis ​​no Irã poderiam fazer isso com um ser humano, enquanto mentiam repetidamente para o mundo todo esse tempo, é incompreensível para nós", acrescentaram. "Eles sequestraram um cidadão estrangeiro e negaram-lhe direitos humanos básicos, e o sangue de Robert está nas mãos deles".

A família também disse ter esperanças de que os responsáveis ​​pela prisão e morte de Levinson sejam levados à justiça, incluindo "aqueles do governo dos EUA que por muitos anos o deixaram várias vezes para trás".

A Associação de Agentes do FBI elogiou a família Levinson pela persistência e coragem. "Não esqueceremos Bob e apoiaremos todos os esforços para levar à justiça os responsáveis por esse crime horrível", disse a associação em comunicado.

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