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Ex-aliada, Turquia impõe sanções a Damasco

Ancara suspende parceria militar 'até que governo legítimo e em paz com seu povo chegue ao poder'

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2011 | 03h05

ANCARA - Em um dos mais duros golpes contra o regime de Bashar Assad desde o início dos levantes na Síria, há oito meses, a antiga aliada Turquia decidiu ontem adotar sanções contra Damasco.

A punição foi anunciada pelo chanceler turco, Ahmet Davutoglu, em Ancara, menos de uma semana depois de a Liga Árabe também ter aprovado sanções contra a Síria. As medidas econômicas afetarão um comércio bilateral de US$ 2,5 bilhões por ano. Antes dos levantes, os turcos eram considerados um dos principais aliados de Assad. Faixas e cartazes em homenagem ao premiê Recep Tayyip Erdogan ficavam espalhados pelas ruas de Damasco e os dois líderes se consideravam amigos.

Segundo Davutoglu, as sanções turcas preveem a suspensão de todas as linhas de crédito para a Síria e das relações com o Banco Central, além do congelamento de bens do governo e bloqueio de transferência de armamento e suprimentos militares.

A cooperação estratégica dos dois países está suspensa "até que um governo legítimo e em paz com seu povo esteja no poder", disse o chanceler.

Sem a Turquia, Damasco fica cada vez mais dependente do Irã e da Rússia. Parte de seu comércio também deve ser mantido com o Iraque e o Líbano, que não apoiaram as sanções da Liga Árabe.

Ontem, os Emirados Árabes contribuíram ainda mais para o isolamento de Damasco ao anunciar a suspensão dos voos de Dubai e Abu Dabi para cidades sírias. A companhias aéreas Emirates e a Etihad são fundamentais para o trânsito de sírios para outras partes do mundo.

Além dos países da região, os Estados Unidos e a União Europeia também já adotaram uma série de medidas econômicas contra o regime de Assad. No Conselho de Segurança, ainda não há acordo. A Rússia e, em menor medida, a China - ambas detentoras de poder de veto - continuam relutantes em apoiar até mesmo uma resolução branda.

As sanções impostas por uma série de países, segundo analistas, buscam quebrar a aliança da elite de Damasco e Alepo com Assad. Eles são considerados um dos pilares de sustentação do regime.

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