Ex-aliado vai depor contra os Kirchners

Casal presidencial é investigado por enriquecimento ilícito

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2009 | 00h00

Sergio Acevedo, ex-diretor da Side (Secretaria de Inteligência) - o serviço secreto argentino - e ex-governador da Província de Santa Cruz, se transformou na nova dor de cabeça do casal Cristina e Néstor Kirchner. Acevedo, que até bem pouco tempo era o homem de confiança dos Kirchners, foi convocado ontem pelo juiz federal Julián Ercolini para prestar depoimento sobre enriquecimento ilícito e o envolvimento de Cristina e Néstor em associações ilícitas.O ex-chefe dos espiões argentinos afirmou que houve "roubo" e desvio de dinheiro para a cúpula de ambos os governos dos Kirchners. Nunca antes um ex-integrante do círculo de amizades do casal presidencial havia se colocado à disposição para confirmar eventuais casos de corrupção nas presidências de Cristina e Néstor.Ercolini é o juiz encarregado de investigar a suposta participação dos Kirchners em uma associação ilícita que teria favorecido empresários amigos do casal em contratos superfaturados do Estado. Em 2003, quando Néstor chegou ao poder, Acevedo foi designado diretor da Side. Em 2004, tornou-se governador da Província de Santa Cruz, feudo político do casal. No entanto, em 2006, caiu em desgraça por não conseguir dissipar as manifestações locais contra o governo e teve de renunciar.No início deste mês, a divulgação da declaração de bens dos Kirchners, entregue ao Departamento Anticorrupção, causou um grande furor na opinião pública, já que mostrava que o patrimônio do casal havia passado de US$ 4,68 milhões para US$ 12,1 milhões entre 2007 e 2008, coincidindo com o primeiro ano da presidente Cristina no governo. "Esse aumento implica em uma rentabilidade que só as atividades ilícitas possuem", disse Acevedo.O ex-espião também afirmou que as obras públicas em Santa Cruz estão todas "cartelizadas". Segundo Acevedo, quando ele governava a província de 200 mil habitantes, "pagávamos 30 milhões de pesos (US$ 7,87 milhões) por mês em obras". "Dois meses depois que deixei o governo, estavam pagando 100 milhões de pesos (US$ 26,24 milhões)."

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