Ex-aliado virou a maior ameaça ao futuro político do kirchnerismo

Ex-chefe de ministros de Cristina, Sergio Massa rompeu com presidente, bloqueou plano de alterar Carta e lidera oposição

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2013 | 02h03

Quando era chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, Sergio Massa era um dos alvos prediletos dos humoristas argentinos, que o pintavam como um funcionário servil. Em 2009, o programa "Grande Cunhado" - paródia do Big Brother que virou sucesso na TV - mostrava Massa correndo atrás de Cristina para secar seu cabelo e penteá-la.

No entanto, esse dedicado e obediente kirchnerista transformou-se, nos últimos meses, na principal referência dos detratores de Cristina. Massa rompeu com a presidente, no primeiro semestre, rapidamente criou a Frente Renovadora, e candidatou-se à Câmara.

Nas eleições primárias de agosto, obteve 34% dos votos, derrotando o candidato de Cristina, Martín Insaurralde, que conseguiu 29%. A batalha transcorreu na Província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país.

A derrota também colocou a pique o plano de reforma constitucional que permitiria o projeto "Cristina Eterna", com o aval para reeleições ilimitadas.

A vitória de Massa, que - segundo pesquisas - se repetiria, com vantagem ainda maior a seu favor, nas eleições parlamentares do dia 27, fizeram do ex-ministro um potencial presidenciável e rival do governador Daniel Scioli.

Na adolescência, nos anos 80, o jovem Massa militava na UceDé, partido de fervorosas posições neoliberais. Nos anos 90 - tal como o casal Kirchner - aderiu ao peronismo neoliberal de Carlos Menem. Na virada do século, tornou-se deputado estadual. Em 2002, durante a presidência provisória de Eduardo Duhalde, comandou a Previdência Social. Nesse estratégico posto, Massa ficaria até 2007, no governo de Néstor Kirchner, quando foi eleito prefeito do município do Tigre.

Em 2008, transformou-se em chefe do gabinete de Cristina Kirchner. Mas, meses depois, com a crise desatada pela derrota parlamentar de 2009, Cristina removeu Massa, que voltou para Tigre.

Posteriormente, documentos do WikiLeaks indicaram que em novembro daquele ano Massa dissera na embaixada americana que Kirchner era um "psicopata" e um "monstro", além de o verdadeiro comandante do governo de Cristina. No início deste ano, o homem que encarnara o servilismo à presidente formou seu partido e, agora, é uma das maiores ameaças ao kirchnerismo. / A.P.

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