Ex-amante revela detalhes de caso com John Major

A ex-ministra da Saúde do governo britânico Edwina Currie forneceu hoje mais detalhes sobre o relacionamento extraconjugal que manteve com o ex-primeiro-ministro John Major, quando ambos ocupavam cargos no governo de Margaret Thatcher, em meados da década de 80. Edwina revelou que Major, na época ministro do Tesouro, teria prometido a ela uma cargo no seu governo.Segundo ela, o casal mantinha longas conversas durante a madrugada na residência oficial do então primeiro-ministro. Edwina afirmou que o relacionamento, que durou quatro anos, começou em 1984 e terminou pouco depois de Major ser promovido ao gabinete de Thatcher. O caso foi revelado em trechos do diário de Edwina, publicados na terça-feira pelo jornal London Times.Num dos trechos do diário, Edwina escreveu que conversou com Major pouco antes das eleições de 1992 sobre a possibilidade de ser sua secretária particular ou ainda ajudá-lo no Parlamento. Na ocasião, o caso dos dois já tinha terminado há quatro anos. Ela também escreveu sobre sua decepção por não ter sido escolhida ministra durante o governo de seu ex-amante.No sábado, Major, de 59 anos, admitiu à imprensa sua infidelidade conjugal, afirmando que sentia "profunda vergonha e arrependimento" de seu comportamento e assegurando que já tinha sido perdoado por sua mulher, Norma, há vários anos. A notícia chocou a Inglaterra, que sempre reconheceu Major como um homem íntegro, incapaz de cometer imprudências.Major, que foi primeiro-ministro de 1990 a 1997, era considerado um dos políticos britânicos mais corretos e até agora não tinha sido relacionado a série de escândalos envolvendo sexo e corrupção que abalou o Partido Conservador e ajudou a derrubar o seu governo.O ex-primeiro-ministro pode enfrentar uma série de problemas por causa da confissão. Major pode não ser admitido na Ordem da Jarreteira - a mais alta distinção concedida pela monarquia -, conferida pela rainha, está ameaçado de sofrer um processo judicial e expõe o Partido Conservador ao escárnio da opinião pública.Segundo o jornal Daily Mail, uma fonte do Palácio de Buckingham informou que a rainha Elizabeth II "se mostra muito reticente em conferir a Ordem da Jarreteira a um adúltero que decepcionou sua família, seus amigos e seu país". Edwina ficou indignada com as declarações de Major sobre os quatro anos de romance. "Naquela época, ele não se envergonhava de nada, isso posso assegurar", destacou Edwina. "Estou muito triste porque ele não me dedicou nenhuma palavra amável". A ex-ministra da Saúde também era casada e confessou que teve outros romances, além de Major, porque se sentia muito só, mas não entrou em detalhes. A revista política New Statesman, na época, referiu-se erroneamente a um romance de major com Claire Latimer, responsável pela organização de eventos oficiais, e acabou sendo processada. Claire acusou Major de ter sido usada como "fachada" para encobrir sua aventura com Edwina. Os editores da revista estão pensando agora em abrir um processo contra Major que lhe poderia custar pelo menos US$ 160 mil.

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